Linha Direta

Merkel puxa "freio de emergência" e propõe lockdown nacional para conter terceira onda

Áudio 04:54
A chanceler alemã Angela Merkel chega à sede do Parlamento alemão, em 11 de abril
A chanceler alemã Angela Merkel chega à sede do Parlamento alemão, em 11 de abril Tobias Schwarz AFP/Archivos

A chanceler alemã, Angela Merkel, decidiu tomar as rédeas da gestão da pandemia para tentar conter a terceira onda da Covid-19. Sua coalizão de governo aprovou, nesta terça-feira (13), a criação de um mecanismo para unificar as medidas de combate ao coronavírus e estabelecer um lockdown rígido automático nas regiões com alto índice de contágios em todo o país, incluindo toque de recolher e fechamento do comércio.

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Marcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

As novas regras estipulam uma ampliação do poder do governo federal em relação às medidas para conter a pandemia, que uniformiza nacionalmente e automatiza a aplicação de restrições.

Alguns já definem a decisão como histórica. Até agora, as medidas restritivas da pandemia eram executadas na Alemanha regionalmente, segundo o critério dos estados federais, parecido com o que ocorre, por exemplo, no Brasil. Isso é uma característica do sistema federalista alemão.

A diferença em relação ao Brasil é que desde o início se tentou um alinhamento entre governos estaduais e federal. Os governadores dos 16 estados alemães vinham se encontrando periodicamente com a chanceler Angela Merkel e decidiam juntos. Só que, na hora de executar as medidas, nem todos os estados cumpriam o combinado.

O resultado foi a aplicação de regras diferentes entre os estados, incluindo o funcionamento de restaurantes e outros estabelecimentos comerciais.

A nova proposta deve ser aprovada pelo Parlamento na semana que vem. Ela prevê um endurecimento automático das restrições em todas as regiões alemãs, cujo índice de novos contágios no período de sete dias for superior a 100 casos por 100 mil habitantes.

Freio de emergência

Nas regiões com índices de contágio considerado alto, deve ser automaticamente imposto o que o governo chama de "freio de emergência". O objetivo é instaurar medidas como toque de recolher noturno entre 9 da noite e 5 da manhã, redução de contatos pessoais (moradores de um domicílio podem se encontrar com só uma outra pessoa de fora), além do fechamento do comércio, com exceção dos serviços essenciais. Restaurantes, bares, boates, estruturas esportivas e de lazer também não podem abrir.

A proposta gerou críticas, tanto da oposição quanto de governos de alguns estados. Principalmente a imposição de toque de recolher é alvo de críticas por restringir as liberdades civis, alguns argumentam também que o vírus se dissemina principalmente em espaços fechados e pouco em espaços ao ar livre.

A Alemanha já foi considerada um exemplo de sucesso na gestão da pandemia. Agora está entre os países europeus mais afetados pela terceira onda. O governo alemão dá um passo para reunificar o combate à pandemia num momento de novo crescimento exponencial de casos, depois de muitas idas e vindas, após muitas discordâncias entre governos federal e estaduais, que tornavam a situação confusa, com muitas regiões flexibilizando as restrições apesar do aumento de infecções.

A lentidão da campanha de vacinação, como na maior parte da Europa, vinha sendo alvo de críticas e contribuiu para o clima de insatisfação da população, além do lockdown instaurado no fim do ano passado. Tudo isso a menos de seis meses das eleições gerais, enquanto o partido de Merkel vem perdendo popularidade a cada dia.

Ao defender o chamado "freio de emergência" nacional, Merkel afirmou que essa foi uma "decisão importante e urgente" e que o combate à pandemia tem que ser realizado de forma mais rigorosa na Alemanha. Ela ressaltou que a situação está cada dia mais dramática, principalmente nas UTIs.

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