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Oscar 2021: Nomadland vence prêmio de melhor filme e consagra direção de Chloé Zhao

Áudio 06:05
A 93ª edição do Oscar aconteceu neste domingo (25), em Los Angeles.
A 93ª edição do Oscar aconteceu neste domingo (25), em Los Angeles. VALERIE MACON AFP/File

Em um ano em que tudo mudou, a cerimônia do Oscar também foi única e diferente de tudo o que já aconteceu nos 93 anos da premiação. Ao invés de acontecer em um teatro, foi numa estação de trem, com distanciamento social e indicados espalhados pelo mundo. Foi uma festa sem grandes surpresas, marcada pela diversidade e bem equilibrada. O filme Nomadland foi o grande vencedor da noite, com três estatuetas: melhor filme, direção para a chinesa Chloé Zhao – primeira asiática a receber o prêmio e segunda mulher a ganhar nesta categoria – e melhor atriz para Frances McDormand. 

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Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

A cerimônia começou com a atriz e diretora Regina King explicando que muitos que estavam no evento já foram completamente vacinados. Todos fizeram pelo menos três testes de Covid-19 e também quarentena, por isso os participantes não usavam máscaras. King fez até uma analogia que é dessa maneira, cercada de protocolos e com a colaboração da ciência, que acontecem hoje as filmagens nos sets de Hollywood. 

O cenário da festa, em Los Angeles, contou com o charme de uma das estações de trem mais antigas e bonitas dos Estados Unidos. Ao redor do mundo, havia câmeras com indicados na Inglaterra, França, Austrália, Coreia do Sul e Irlanda. Cada concorrente podia levar apenas um convidado, num ambiente bem controlado. 

As apresentações musicais foram filmadas com antecedência no Museu do Oscar, que ainda não foi inaugurado, e transmitidas antes da cerimônia. Quem viu de casa assistiu uma grande produção feita com câmera de cinema, com uma fotografia impecável, com direção do premiado diretor Steven Soderbergh, mas foi muito linear, engessada, arrastada e até um tanto previsível. No quesito interação – apesar de ter sido bem mais intimista, com menos participantes do que nas festas anteriores –, foi tudo meio estranho, talvez porque as pessoas neste ano de isolamento perderam a habilidade de interagir socialmente. Sem dúvida foi uma edição que deu holofotes à diversidade e à inclusão, resultado dos milhares de novos votantes, de todos os lugares do mundo, que a Academia incluiu nos últimos anos. 

Melhor ator no final 

A ordem de entrega dos prêmios foi alterada nesta 93ª edição. O troféu principal não foi o último a ser anunciado, e o de melhor direção foi entregue bem no início da premiação. O último prêmio revelado foi o de melhor ator para Anthony Hopkins, de 83 anos, pela atuação belíssima em Meu pai. O britânico naturalizado americano é o artista mais velho a ganhar um Oscar, mas não apareceu para agradecer a estatueta. 

Numa época em que uma das grandes lutas é a igualdade de gênero, colocar o melhor ator como último prêmio pareceu meio sexista. Deixar o troféu de melhor filme para o final da cerimônia seria mais adequado, mantendo o suspense e o interesse dos telespectadores até o final da premiação. 

Votantes recompensam mulheres

A diversidade foi contemplada nas categorias de coadjuvantes: dos 20 indicados nas quatro categorias de atuação, nove eram atores não brancos. O Oscar de melhor atriz coadjuvante ficou para a favoritíssima sul-coreana Youn Yuh-jung, de 73 anos, por Minari. Ela fez o discurso mais divertido da noite. Daniel Kaluuya, que era favorito, foi eleito melhor ator coadjuvante por Judas e o messias negro

Acontecimento inédito na história do Oscar, a noite já começou com uma mulher, Emerald Fennell, recebendo o troféu de melhor roteiro original pelo filme Bela vingança. Ela era a única mulher indicada nesta categoria, e a vitória foi marcante porque é a primeira mulher a vencer o prêmio de roteiro original em 13 anos.

Outro recorde coube ao melhor figurino. O longa premiado, A voz suprema do blues, é assinado por Ann Roth, de 89 anos, a mulher mais velha a ganhar um Oscar. A Dinamarca recebeu o seu quarto Oscar, com Druk – mais uma rodada. A cerimônia também foi marcada pela linguagem de sinais, já que havia muitos deficientes auditivos da equipe do filme de O som do silêncio, produção que levou duas estatuetas. 

O cineasta dinamarquês Thomas Vinterberg fez o discurso mais emocionante da noite. Ele chorou e levou o público às lágrimas quando lembrou que a filha, de 19 anos, que atuaria no filme, morreu em um acidente de trânsito causado por uma pessoa que olhava o celular. A tragédia aconteceu poucos dias antes das filmagens. 

Alguns discursos poderosos pontuaram a cerimônia, sem gerar muita empolgação – nada de muitas palmas, tudo meio frio. Citações fizeram referência ao racismo e à violência policial contra os negros, por ser tema do curta-metragem vencedor Two distant strangers. Em sua fala de apresentação, Regina King comentou o resultado histórico do julgamento do policial que matou George Floyd. A falta de controle das armas nos Estados Unidos também foi um tema explorado, assunto do curta de animação vencedor If anything happens, I love you

Já na categoria de discurso mais singelo, os aplausos vão para a diretora Chloé Zhao. Ela fez história com sua simplicidade e noção de realidade, tanto no telão quanto na vida real. "As pessoas, ao nascer, são boas. Essas palavras tiveram muito impacto na minha infância, sempre achei bondade nas pessoas que conheci. Esse Oscar é para qualquer pessoa que tem a coragem de se manter boa e ver o que há de bom nos outros", destacou. 

Veja, abaixo, os vencedores do Oscar 2021

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