Testes militares da China abalam superioridade bélica dos EUA

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EUA tenta responder ao avanço militar e tecnológico chinês
EUA tenta responder ao avanço militar e tecnológico chinês AFP - GREG BAKER

O Governo dos EUA está enfrentando algo relativamente novo: o desenvolvimento chinês em áreas militares específicas coloca em risco a superioridade bélica americana, considerada absoluta desde a vitória aliada na Segunda guerra mundial.

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Thiago de Aragão, analista político

Os recentes testes hipersônicos realizados pela Força armada chinesa representam um marco importante na construção e desenvolvimento de um arsenal militar que possa contrapor o poderio americano. O uso de um planador hipersônico, com capacidade de atirar mísseis em uma altitude difícil de ser identificada por radares e com a possibilidade de alterar o direcionamento da rota até momentos antes de atingir o alvo, coloca a China numa posição privilegiada em relação à capacidade de atingir alvos americanos em qualquer lugar do globo.

Nesse fim de semana, o país realizou mais um teste direcionando mísseis para o mar do sul da China, sem alvo pré-determinado, com o intuito de testar (e exibir) essa capacidade do seu arsenal. Por mais que fontes oficiais chinesas tentem disfarçar e dizer que esses testes não passam de exercícios de reciclagem espacial, não há nenhuma tentativa em esconder de outros países a real capacidade hipersônica que a China conseguiu desenvolver.

Já está claro que os EUA ficaram atônitos com o que ocorreu. O próprio Pentágono, por meio do Financial Times, concordou estar “surpreso” com o rápido desenvolvimento tecnológico chinês nessa área.

O problema para os EUA e seus aliados não está apenas na surpresa em relação ao planador hipersônico. A China mostrou que conseguiu desenvolver uma tecnologia complicada, longe dos olhos atentos de países ocidentais.

Em disputa acirrada em várias áreas militares e tecnológicas, o que mais a China pode estar desenvolvendo a uma velocidade e em um estágio muito maiores do que os EUA acreditam? A disputa tecnológica entre os dois países envolve computação quântica, inteligência artificial e, principalmente, armas eletromagnéticas.

Armas eletromagnéticas têm um claro potencial destruidor. Por meio de radiação eletromagnética, o alvo pode receber energia elétrica ou mecânica, gerando impactos dolorosos e permanentes. Alvos americanos sofreram ataques deste tipo em Havana e posteriormente em Viena, Tailândia e outros locais do mundo, sem compreender muito bem como funciona o processo de manuseio e ataque eletromagnético, o que levou a chamá-los de “síndrome de Havana”. 

Sabe-se que tanto a China quanto os EUA e a Rússia, investem pesado para o desenvolvimento de armas eletromagnéticas. À medida que essa tecnologia se desenvolve, seu uso poderia desencadear um processo complexo de ataques e contra-ataques, sem que nenhum país assuma responsabilidade.

O planador hipersônico é um exemplo de avanço tecnológico que pegou os EUA de surpresa. O mesmo pode ocorrer com as armas eletromagnéticas a curto prazo. Esses avanços colaboram fortemente para o aumento das tensões entre os dois países e, principalmente, indicam o quanto a China pode estar avançada em áreas que os americanos acreditavam ter alguma vantagem estratégica. 

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