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Descrença nos políticos e pandemia devem aumentar abstenção nas eleições brasileiras, afirma especialista

Áudio 06:54
A professora Argelina Figueiredo
A professora Argelina Figueiredo © Captura de tela
10 min

A cientista política Argelina Figueiredo, que pesquisa há décadas as eleições, estima que o pleito para a escolha dos prefeitos e vereadores de 15 de novembro no Brasil sofrerá o impacto da pandemia de Covid-19. Mas ela também aponta a descrença na classe dirigente como um motor para a abstenção no dia do voto.

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Doutora pela Universidade de Chicago e professora do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Argelina Figueiredo coordena o Doxa, um núcleo de pesquisa sobre processos eleitorais e opinião política. Ela também lançou recentemente o “Vota Aí”, um projeto visando aproximar a população da engrenagem eleitoral.

A pesquisadora estima que as propostas dos candidatos nem sempre suscitam um interesse real dos eleitores e que seus projetos acadêmicos visam justamente “salientar a importância do voto com alguma reflexão, conhecimento e informação sobre as propostas dos políticos”.

Segundo a especialista, muitas vezes os eleitores não conseguem identificar políticos que correspondam às suas próprias ideias. “Hoje é mais difícil se determinar questões ideológicas, pois entram em conta várias outras questões, em princípio ‘não ideológicas’, que ligam as condições socioeconômicas das pessoas”.

Ideologia deixada de lado

Além disso, ela ressalta que no caso das municipais, os eleitores estão muito mais preocupados em “garantir políticas que são importantes para seu próprio benefício” e, por essa razão, muitas vezes as questões ideológicas são deixadas de lados.

No entanto, o pleito deste ano, que teve sua data alterada por causa da pandemia, poderá ser marcado pela abstenção acentuada, provocada pelo contexto sanitário. Argelina Figueiredo lembra que no Brasil as pessoas mais idosas sempre votam, mesmo após os 70 anos, quando já estão dispensadas. E esse ano, muitas delas podem ficar em casa.

A professora aponta ainda que a diminuição da duração da campanha e do horário eleitoral também terá um impacto, principalmente entre os candidatos novatos, que perderam uma vitrine para apresentar suas plataformas. Por causa da Covid-19, foram impostas várias restrições nas campanhas, nos comícios ou nas abordagens diretas dos candidatos. “E isso também prejudica os mais novos”, enfatiza.

“Outro fator que pode aumentar a abstenção é uma descrença maior que a população tem com relação aos políticos”, analisa. Segundo ela, muitos eleitores partem do princípio que “todo mundo é corrupto mesmo, então não adianta votar”. Uma lógica perigosa, alerta a professora, pois essa postura acaba beneficiando os próprios corruptos, já que “a distinção não é feita”.

O resultado é que, segundo ela, “tanto para prefeito como para vereador, a tendência é permanecer [com os mesmos políticos]. Os que já ocuparam cargos ou que estão ocupando cargos serão favorecidos por essa eleição”, finaliza.

 

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