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“Um poema para todas as idades”, diz escritor Maurício Vieira sobre seu novo livro

Áudio 07:06
Maurício Vieira - escritor
Maurício Vieira - escritor © Arquivo pessoal

“Floresta” é o nome do novo livro do poeta e escritor Maurício Vieira, lançado virtualmente neste mês de fevereiro devido à pandemia. Na obra, o autor utiliza elementos da natureza como metáfora para falar de diversos sentimentos e emoções durante a travessia por uma floresta interior.

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“Escrevi esse poema há um tempo atrás e mostrei a uma amiga também escritora, Lúcia Bettencourt, que mora no Rio. Ela achou que tinha um viés infantil e acabei me convencendo”, explica o escritor e poeta sobre a mudança que seu trabalho inicial ganhou.  

Apesar do enfoque lúdico e visualmente mais infantil da obra reforçado pelas ilustrações, o autor garante que a mensagem visa atingir um público bem amplo, sem limitação de faixa etária. “É um poema para crianças de todas as idades, mas também para a criança que existe dentro de nós, que também precisa sair para a floresta e, infelizmente, a gente prende muita essa criança que está dentro de nós”, explica.

A escolha de uma floresta para situar sua viagem introspectiva foi natural, segundo ele. “A ideia inicial veio de uma aproximação com a natureza. Mas é óbvio que quando eu estava escrevendo, vi que ali havia uma metáfora, uma alegoria para uma floresta interior, um caminho para dentro de nós mesmos e uma forma de descoberta e redescoberta”, acrescenta.

Maurício Vieira conta que a editora Raiz abraçou o projeto e indicou para ilustrar o poema o desenhista gaúcho Johnatas Martins, que co-assina a obra. Foram oito meses de trabalho para traduzir em imagens sua leitura do texto do poeta.

“Ele fez um trabalho minucioso e foi inesperado para mim. Como não tinha muito contato com o universo infantil, pensei que ficaria muito literal. Mas não, ele conseguiu descrever a história e aludir com formas e imagens muito sutis. Ele conseguiu criar uma história paralela que vai tendo aproximações com o poema. Ele fez algo de tirar o chapéu”, elogiou.  

Escrever em tempos de pandemia

Apesar de ter sido escrito antes da pandemia, Maurício diz que a situação provocada pela Covid-19, com o isolamento social e restrições de deslocamentos, deu uma dimensão atualizada para seu poema.

“Eu escrevi antes da pandemia, mas ele está muito relevante e dentro do que está acontecendo porque a gente, pelo menos muito de nós, não pode mais ir para floresta de verdade, que é um lugar que acalma, no qual as pessoas gostam de recarregar as energias. Agora, estamos em ambientes interiores e cada vez mais dentro de nós mesmos, nos nossos ‘interiores físicos e mentais’. E uma das ideias que quis passar no livro é de começar a nos analisar, caminhar dentro de sua própria floresta e examinar suas emoções”, afirma.

Em quarentena em seu apartamento em Paris, o escritor constata que o isolamento tem também influenciado seu trabalho, que se tornou mais introspectivo, expressando mais as sensações duras e difíceis, reflexo também das rígidas regras sanitárias.

“Agora, cada vez mais, estamos nos confrontando com essas emoções porque não temos mais válvulas de escape normais, nossos hábitos de convivência. Estamos privados de muita coisa e acabamos nos chocando diariamente e constantemente com essas emoções”, observa.

Livro Floresta de Mauricio Vieira
Livro Floresta de Mauricio Vieira © Captura de tela

“Eu me sinto como se tivesse muitas pedras se agregando aqui dentro, como as pedras que aludo no poema. É um peso que vai ficando, e apesar da imaginação tentar escapar, acaba sendo difícil, como é para todos nós. Cada um lida de uma maneira e eu tento na minha poesia abordar isso”, diz o poeta.

Com lançamento previsto apenas virtualmente por conta da pandemia, a editora Raiz está promovendo e divulgando o livro por meio de lives nas redes sociais. Além de “Floresta”, este ano Maurício Vieira comemora a publicação da edição mexicana de seu livro “Manual onírico de Jardinagem” (Ed Glaciar) e de um poema seu traduzido para o francês e presente em uma antologia dedicada a Alexandria, a ser lançada no mês de março, em Paris.

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