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Série brasileira "Os Últimos Dias de Gilda" ganha vitrine internacional na 1ª Berlinale online

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A série brasileira “Os últimos dias de Gilda” foi uma das seis selecionadas para a vitrine da Berlinale Series, mostra dedicada a este gênero audiovisual que ganha cada vez mais espaço nos festivais internacionais de cinema.
A série brasileira “Os últimos dias de Gilda” foi uma das seis selecionadas para a vitrine da Berlinale Series, mostra dedicada a este gênero audiovisual que ganha cada vez mais espaço nos festivais internacionais de cinema. © Divulgação

Nesta edição fora do comum da Berlinale 2021, que termina nesta sexta-feira (5), com projeção de filmes, debates e conversas totalmente online, os profissionais de cinema do mundo tentaram se acostumar a um formato híbrido de festival, que terá possivelmente repeteco para o público berlinense em junho, quando o sol voltar e se a pandemia deixar. Neste contexto, a Berlinale Series, mostra paralela do festival, acaba crescendo exponencialmente e virando uma vitrine internacional para novas produções, como contou à RFI Gustavo Pizzi, diretor da série "Os Últimos Dias de Gilda".

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[Clique na imagem do artigo acima para assistir o vídeo da entrevista]

"Este é um ano [da Berlinale] muito estranho mesmo, como já imaginávamos que seria", confessa o diretor Gustavo Pizzi. "É um momento em que está todo mundo tentando entender como vai ser depois que acabar a pandemia e que os filmes puderem voltar aos cinemas. Isso reflete em muita coisa na indústria, os sales agents (programadores) não estão comprando tanta coisa como antigamente, os distribuidores estão comprando menos e os streamers são o oposto desta moeda, eles estão comprando muito, estão sendo o fiel da balança", conta o diretor.

"Mas estamos todos, cada um de sua casa, é muito diferente. Normalmente, se você tem um filme pequeno numa seleção oficial, sem atores conhecidos, se você passa no festival e o público responde muito bem, o fime passa a ter muitas chances junto aos compradores, e isso não estamos tendo nessa edição da Berlinale", avalia. 

A série de Pizzi foi inspirada na peça homônima de Rodrigo de Roure. "Assisti pela primeira vez a peça em 2004 no teatro em sua primeira montagem, já com [a atriz] Karine Telles. Era dirigida pelo Camilo Pellegrini e eu fiquei completamente fascinado por esse universo da Gilda. Eu já conhecia o texto, que me atrai muito também. É um jeito muito bonito de escrever do Rodrigo", diz. "Desde esse momento quis transportar isso para um formato audiovisual".

"Gilda é uma mulher que mora numa vila, numa comunidade com pessoas muito próximas umas das outras. É uma mulher livre, que gosta de fazer as coisas em que acredita, de viver a vida como acredita, sem entrar em nenhuma 'caixinha' pré-estabelecida, seja para as mulheres de sua idade, ou para as mulheres ou pessoas em geral", diz. 

"A série estreou no Brasil em novembro de 2020, e quando tivemos o anúncio de Berlim foi como uma nova estreia, muitas pessoas falando sobre a série de novo e uma grande cobertura da imprensa", conta o diretor. "O retorno até agora vem sendo fantástico. É um tema comum a muita gente em vários lugares do mundo desde sempre, a busca por liberdade", enfatiza Pizzi.

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