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Iniciativa internacional levará testes rápidos de Covid para América Latina e África

Áudio 07:45
Un médico toma muestras para una prueba de PCR a un hombre con síntomas de COVID-19 en la unidad móvil de salud en Villa Fiorito, en las afueras de Buenos Aires, el 3 de agosto de 2020
Un médico toma muestras para una prueba de PCR a un hombre con síntomas de COVID-19 en la unidad móvil de salud en Villa Fiorito, en las afueras de Buenos Aires, el 3 de agosto de 2020 AFP

Uma ferramenta crucial para o combate ao coronavírus será reforçada nos países pobres e em desenvolvimento: a testagem. Um ano e meio depois do aparecimento da Covid-19, as nações menos desenvolvidas ainda têm dificuldade em identificar e rastrear os casos positivos para a doença, o que amplia potencialmente as contaminações. 

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A agência Unitaid, ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), e a FIND (Fundação para a Inovação em Diagnósticos) promovem uma iniciativa para transferir tecnologia a fabricantes na América Latina e na África, para a produção de testes rápidos de Covid de qualidade e a preços baixos. “É difícil determinar exatamente o quanto a deficiência na testagem contribuiu [para a disseminação do vírus], afinal o enfrentamento à pandemia é multifatorial: inclui diagnóstico, tratamento, vacina, informação. Mas o diagnóstico é extremamente importante não só para a detecção do infectado, do doente, como para a prevenção, para que ele não transmita para outras pessoas”, ressalta o sanitarista e epidemiologista brasileiro Draurio Barreira, membro da Unitaid, com sede em Genebra. 

No Brasil, a fabricante WAMA Diagnóstica vai se encarregar de fabricar os testes para toda América Latina: serão 2 milhões de unidades por mês, ao custo máximo de U$ 2 a unidade. O objetivo é que os exames passem a ser utilizados em larga escala, incluindo em comunidades carentes, hoje com baixo acesso aos exames.

“Hoje, os testes disponíveis são PCR, que levam mais tempo e custam muito caro. O teste de antígeno é rápido, em 15 minutos, e tem um custo muito mais baixo”, explica o sanitarista. “Se a pessoa precisa fazer um teste para poder voltar ao trabalho, ela não precisa aguardar o resultado de um PCR. Em 15 minutos, ela tem a resposta e pode retomar ou não as suas atividades.”

Sanitarista e epidemiologista brasileiro Draurio Barreira é membro da Unitaid, ligada à OMS.
Sanitarista e epidemiologista brasileiro Draurio Barreira é membro da Unitaid, ligada à OMS. © Arquivo pessoal

Acesso prejudicado

Segundo a agência, os países desenvolvidos testam em média 60 vezes mais que os de renda média e intermediária. Por essa razão, nestes lugares, foi impossível praticar a estratégia "testar, rastrear, isolar", adotada em massa nos países ricos.

“Os países do norte estão com recuo da epidemia e retorno à uma vida mais normal por causa, em parte, da testagem. Na Suíça, testes são encontrados em qualquer farmácia e os cidadãos têm acesso gratuito”, frisa Barreira. “Os testes não qualificados, não aprovados pela OMS e agências de controle de qualidade, acabam sendo oferecidos para os países mais pobres, a preços mais baixos, por serem de pior qualidade. A Unitaid e FIND estão propiciando que países de baixa e média renda possam produzir testes de alta qualidade.”

Desigualdade no combate à pandemia

O mapa mundial da vacinação contra a Covid-19 é uma amostra das desigualdades no enfrentamento da pandemia: muitos países do sul, em especial na África, ainda não chegaram nem a 1% de imunização. Em lugares como Burkina Faso, o número de doses aplicadas é contado às centenas.

“Não há solução de uma pandemia se você soluciona apenas o seu problema. Enquanto houver pandemia vigente em quaisquer países, os países que estão teoricamente protegidos, na verdade ainda não estão”, destaca o epidemiologista. “Como estamos observando, várias cepas surgem, com resistências diferentes à vacina. O atraso na vacinação propicia o surgimento de novas cepas resistentes. Por isso, se a gente não tiver uma cobertura universal, realmente, em todo o mundo, ninguém estará protegido.”

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