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Saúde

Cirurgia que corrige orelha de abano cresce no Brasil com uso da máscara

Áudio 04:25
Pessoas usam mais o cabelo preso quando estão de máscara, o que evidencia a orelha de abano
Pessoas usam mais o cabelo preso quando estão de máscara, o que evidencia a orelha de abano REUTERS - KHAM
Por: Taíssa Stivanin
8 min

Acessório evidencia ainda mais defeito congênito, explica a cirurgiã Suzy Vieira, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Segundo ela, a generalização do home-office também explica o fenômeno.

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A epidemia da covid-19 mudou a relação que temos com nossa própria imagem. O uso da máscara e o distanciamento físico criaram uma barreira na comunicação entre as pessoas, dificultando a maneira de expressar nossas emoções.

O acessório também acentua defeitos. É o caso da orelha de abano, que fica mais proeminente. “Normalmente, com a máscara, usa-se mais cabelo preso. Também acontece dela ser presa de forma inadequada atrás da orelha”, explica a cirurgiã brasileira.

A máscara leva o usuário a deixar mais as orelhas à mostra. Isso naturalmente levou a um aumento do número de cirurgias para corrigir o abano, constata a médica, mas também outras partes do rosto. “As pessoas estão se vendo mais, em lives e reuniões virtuais, onde só aparece o rosto. Quando você está em um encontro presencial, você não fica se olhando, fica olhando os outros”, observa.

Ela explica que o abano é congênito – a pessoa nasce com ele. Com o passar dos anos, o defeito às vezes incomoda menos. “A orelha de uma criança é muito grande proporcional ao tamanho da cabeça. De forma que quando a criança tem três anos, a orelha já tem 70% do tamanho que vai ter”, detalha. A orelha é um órgão que normalmente para de crescer aos sete anos, explica.

De acordo com a cirurgiã, essa é uma das poucas operações que pode ser realizada em crianças. “É melhor operar antes que comece o assédio, gerando traumas”, diz.  A operação é simples e pode evitar muitos aborrecimentos, mas muitos pacientes esperam a idade adulta para corrigir o problema. “Às vezes a pessoa nunca teve a oportunidade de operar, ou nunca quis”, afirma.

Suzy Vieira também explica que o abano não está relacionado ao tamanho da orelha, mas a seu posicionamento. “A gente fala que existe um ângulo, entre a orelha e a cabeça. Quando ele é muito grande, a orelha fica afastada da cabeça. ” O defeito também está relacionado à falta das dobras na parte de trás. “O intuito da cirurgia em si não é diminuir o tamanho da orelha, mas reposicioná-la.”

No caso das máscaras, Suzy Vieira lembra que posicionar o acessório de maneira errada também acaba evidenciando o abano. "Não provoca o defeito, mas machuca o órgão”, afirma a cirurgiã.

A cirurgiã plástica Suzy Vieira diz que muitas vezes os pacientes são agressivos nas consultas
A cirurgiã plástica Suzy Vieira diz que muitas vezes os pacientes são agressivos nas consultas (Foto: Divulgação)

Home-office acelerou cirurgias estéticas 

O tempo passado em home-office gerou uma cobrança nos brasileiros com a própria imagem, principalmente do rosto. Intervenções para corrigir o nariz, a papada ou levantar as pálpebras estão cada vez mais comuns, diz a especialista. Tratamentos faciais também estão sendo muito procurados.

“É um conflito frequente em cirurgia plástica essa questão da indicação, porque é uma das poucas cirurgias que o próprio paciente indica. Ninguém chega no médico e diz ‘quero operar minha vesícula porque deu vontade’. Na cirurgia plástica, a indicação vem muito da pessoa, é um incômodo para ela. Às vezes eu vejo um nariz e penso: poderia melhorar. Mas se a pessoa não se incomoda, ninguém vai intervir. ”

 

 

 

 

 

 

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