Saúde

Covid-19: ferramenta de start-up francesa monitora temperaturas de vacinas

Captadores criados pela start-up Koovea, colocados em um refrigerador, para monitorar a temperatura
Captadores criados pela start-up Koovea, colocados em um refrigerador, para monitorar a temperatura Aurelia Blanc

A crise econômica e sanitária impactou diversos setores, mas também criou oportunidades. O desenvolvimento acelerado das vacinas contra a Covid-19 que utilizam o RNA mensageiro, e devem ser mantidas a baixas temperaturas, gerou o aparecimento de novas tecnologias para monitorar o transporte seguro dos imunizantes e sua conservação.

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Taíssa Stivanin, da RFI

A start-up francesa Koovea, situada em Montpellier, no sul da França, atende empresas do setor da saúde que atuam na chamada “cadeia do frio”. Elas gerenciam a refrigeração de um produto durante seu transporte e antes do uso - uma atividade que se intensificou durante a epidemia com o surgimento das novas vacinas.

O aparelho criado pela start-up francesa propõe a instalação de captadores inteligentes, que posicionados perto dos imunizantes, medem a temperatura. O dispositivo também inclui um roteador responsável pela transmissão dos dados em tempo real e um aplicativo que cria alertas em caso de pane, garantindo a conservação dos produtos.

Os captadores são de simples utilização e podem ser acoplados dentro de um veículo, como um caminhão, um depósito ou uma geladeira de um hospital, por exemplo.  Iniciativas como essa, explica o engenheiro de computação Yohhan Caboni, um dos fundadores da empresa, visam facilitar a distribuição e o acesso a imunizantes como o da Pfizer, que, por conta de sua eficácia e da aceitação da opinião pública, devem ser privilegiados nas futuras campanhas de vacinação na Europa. 

"O alerta vai ajudar a manter a temperatura adequada para a vacina. Assim que ela se aproximar de um nível que pode deteriorar o imunizante, o responsável poderá agir para evitar que a vacina de fato se deteriore, colocando em risco a vida dos pacientes", detalha o engenheiro francês. Se a cadeia do frio for rompida, o imunizante dever ser jogado no lixo.

Para preservar as propriedades das vacinas, não pode haver falhas em nenhuma etapa do processo.“Quanto mais baixa é a temperatura, mais complicado será o transporte e a estocagem. No caso dessa vacina, que deve ser conservada a – 80º C, basta abrir a porta do supercongelador durante um minuto, para entrar ar quente”, exemplifica Yohhan Caboni.

O engenheiro de computação francês Yohann Caboni, um dos fundadores da empresa.
O engenheiro de computação francês Yohann Caboni, um dos fundadores da empresa. Aurelia Blanc

Isso basta para que a temperatura aumente cerca de 10º C e as doses devam ser inutilizadas. Situações como essas são mais raras na estocagem, mas podem ser comuns no transporte, explica o engenheiro francês. “Pode haver falhas em todos os níveis.”

A epidemia criou um novo nicho para empresas que já atuavam na "cadeia do frio", que inclui setores como o transporte de sangue, de órgãos e de medicamentos. Com a crise gerada pela Covid-19, esses mesmos clientes da Koovea passaram a trabalhar para levar a vacina até os centros, hospitais e farmácias.

O aplicativo criado pela Koovea que gerencia a temperatura dos imunizantes.
O aplicativo criado pela Koovea que gerencia a temperatura dos imunizantes. Aurelia Blanc

Experiência com vacina do Ebola

Antes da crise sanitária, a ferramenta criada pela start-up francesa já havia sido adotada por uma ONG americana que atua na República Democrática do Congo, para garantir a segurança das vacinas contra o Ebola, ainda em fase de testes clínicos. 

Trata-se de uma missão complicada em um país menos desenvolvido e com menos estrutura, frisa Caboni, em uma região onde também há muitos conflitos. Essa experiência permitiu à empresa adquirir o know-how necessário para atuar na crise sanitária.

A crise gerada pela pandemia deve durar anos. A vitória dessa guerra dependerá da organização frequente e regular de campanhas de vacinação em todo o mundo para controlar as contaminações de um vírus que, ao que tudo indica, veio para ficar.

Conservação na geladeira

As campanhas dependerão de soluções que impeçam qualquer desperdício ou percalço no encaminhamento dos insumos. “A vantagem dessa ferramenta é que somos capazes de trabalhar com todos os atores dessa cadeia do frio, seja o fabricante, a farmácia ou o centro de vacina”, frisa Caboni.

Segundo ele, o aumento do volume de vendas da empresa está estimado em 15 a 20%, apenas em atividades relacionadas à Covid-19.

Para facilitar a logística, a Pfizer anunciou recentemente que prepara uma nova versão da vacina que poderia ser mantida em uma geladeira normal. Esse aperfeiçoamento do imunizante deverá facilitar a campanha de vacinação, mas o cuidado com o transporte deverá continuar sendo feito da mesma forma e com os mesmos cuidados, lembra o engenheiro francês.

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