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Covid-19: vacina para menores de 5 a 11 anos deve ser avaliada pela FDA em setembro

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A FDA, agência americana de medicamentos, deve começar a avaliar os resultados da vacina contra a Covid-19 em crianças no final de setembro.
A FDA, agência americana de medicamentos, deve começar a avaliar os resultados da vacina contra a Covid-19 em crianças no final de setembro. Robyn Beck AFP

A luta contra a Covid-19 deve ganhar novos aliados com a aprovação do uso emergencial da vacina Cominarty, produzida pela Pfizer/BioNTech, para menores de 5 a 11 anos de idade. Os dados devem estar disponíveis no final de setembro para análise da FDA, a agência de alimentos e medicamentos dos EUA. Os resultados para a utilização nas faixas etárias entre 6 meses e 5 anos devem ser divulgados na sequência, como indicou a empresa em um comunicado.

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Taíssa Stivanin, da RFI

Segundo o laboratório americano, mais de 4.500 crianças com idades de 6 a 11 anos participam dos testes clínicos nos Estados Unidos, Finlândia, Polônia e Espanha. A empresa também pretende avaliar a aplicação da vacina em bebês de menos de seis meses. A farmacêutica lembra que os menores de 15 anos de idade representam 26% da população global.

O pediatra americano Willie Ng, que tem mais de 40 anos de experiência e atua em uma clínica de Cincinatti, em Ohio, conversou com a RFI Brasil sobre a expectativa da chegada do imunizante que utiliza o RNA mensageiro ao país. Segundo o especialista em cardiologia infantil, nos Estados Unidos muitos pais aguardam com ansiedade a possibilidade de proteger seus filhos do SARS-CoV-2. Parte dos testes clínicos com a vacina são realizados em Cincinatti e alguns de seus jovens pacientes estão participando dos estudos, que visam avaliar, principalmente, a dose necessária para imunizar as crianças.

A Covid-19 gera poucos casos graves em crianças abaixo de 11 anos de idade, afirma, mas vaciná-las será fundamental para o controle da epidemia. Isso fará com que o vírus circule menos e evitará o aparecimento de variantes que podem ser mais perigosas, inclusive para as próprias crianças. Em sua opinião, imunizar todas as faixas etárias também será a única maneira de continuar protegendo idosos e pessoas mais frágeis. Hoje, ressalta, são os não vacinados que contribuem para a circulação ativa do vírus.

“Sou a favor da vacina para todas as crianças, até as mais jovens. Há muitos pais que acham que como os casos são leves na maioria, é melhor adquirir a imunidade natural. Acho que sempre há o risco de se ter um caso mais severo, ou desenvolver a Covid longa. Nunca se sabe, sempre é melhor prevenir”, afirma.

Com o avanço da variante delta nos Estados Unidos, o número de infecções entre menores quintuplicou, mas sem provocar, proporcionalmente, mais casos graves. As complicações são dez vezes mais frequentes em adolescentes não vacinados, explica o pediatra americano.

“Até agora, por sorte, a maioria dos casos são leves”, diz. “Mas se você permite que o vírus continue se replicando, vão aparecer outras variantes, que podem ser piores. É melhor tentar parar essa epidemia agora”, frisa. “A próxima criança pode pegar um vírus que vai mutar e gerar casos mais sérios”, alerta. As mutações são normais, lembra, e a chegada de uma nova cepa é questão de tempo. Por isso, reitera, todo mundo deve ser vacinado. "Minha recomendação é essa.”

“Não existe vacina perfeita”

O risco de eventuais efeitos colaterais graves provocados pela vacina, em uma população que geralmente registra infecções banais, tem gerado debate nos Estados Unidos. Foram relatados casos raros de miocardite, uma inflamação que atinge o músculo cardíaco, e de pericardite, que inflama o pericárdio, uma membrana que envolve o órgão.

Segundo o jornal americano The New York Times, por conta disso, a Pfizer e a Moderna, que também realizam testes clínicos para o imunizante na faixa etária entre 5 a 11 anos, tiveram que incluir mais 3 mil crianças na pesquisa, a pedido da FDA. Essa precaução, reitera Willie Ng, não deve servir de argumento para impedir a imunização nessa faixa etária. “Não existe vacina perfeita. Temos que medir os prós e contras entre a vacina e a doença. Ainda acho que a possibilidade de ter uma complicação com a vacina é muito menor do que as chances de sofrer de uma forma grave da doença”, defendeu a pediatra, em entrevista à RFI Brasil.

Na França, por exemplo, de acordo com os últimos divulgados em agosto pela Agência Nacional de Segurança dos Medicamentos, foram registradas 44.587 reações à Cominarty, nome comercial da vacina da Pfizer, em um total de 66.445.000 injeções. A maior parte delas sem gravidade.

A presidente da Sociedade Francesa de Pediatria, Christèle Gras-Le Ghen, questiona a necessidade de vacinar as crianças menores. “O SARS-CoV-2, se circula entre as crianças e é benigno, não é motivo de preocupação. A preocupação de verdade é entre os adultos, que podem desenvolver uma forma grave. A solução é clara: vacinar os adultos que podem ir parar na UTI”, diz.

Sobre a vacinação, a pediatra francesa diz que é preciso aguardar os dados definitivos sobre a eficácia da vacina e de seus efeitos colaterais em menores de 11 anos de idade, que ainda não foram publicados. “Do meu ponto de vista, a vacinação de crianças só faz sentido após a imunização de todos os adultos”, declara. “Os médicos que trabalham nas UTIs relatam que, em seus setores, recebem principalmente não vacinados”, conclui. 

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