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Um pulo em Paris

Brasileira morta em atentado em Nice recebe homenagens de ex-colegas de trabalho

Áudio 06:58
Simone Barreto Silva, vítima do atentado em Nice em 29 de outubro de 2020, tinha formação em chef de cozinha.
Simone Barreto Silva, vítima do atentado em Nice em 29 de outubro de 2020, tinha formação em chef de cozinha. © Reprodução Facebook
11 min

Esta semana está sombria tanto para os franceses quanto para os brasileiros que amam a França. A morte da baiana Simone Barreto Silva, 44 anos, no atentado terrorista islâmico ocorrido na quinta-feira (29), na basílica Notre-Dame de Assunção, em Nice, deixou o país abalado.

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Nesta sexta-feira (30), os canais de TV franceses dedicam reportagens à chefe de família brasileira. Simone deixa três filhos menores, com idades entre 4 e 14 anos. Ultimamente, ela trabalhava como cuidadora de idosos, mas há dois anos concluiu um curso de chef de cozinha sob aplausos dos colegas.

O chef que formou a brasileira, Éric Brujan, do restaurante do hotel Le Méridien, em Nice, fez questão de homenageá-la, lembrando que Simone era uma mulher "solar, sempre com um sorriso radiante no rosto, cheia de vida". "Ela sempre foi uma estagiária dedicada, cultivava suas raízes culturais e adorava o samba", contou o chef do Méridien.

Uma amiga do curso de cozinha, a francesa Myriam Touil, disse que vai guardar a imagem de uma pessoa "otimista e sorridente, em qualquer circunstância". "Apesar do pouco tempo livre que tinha, por causa do curso de cozinha e dos filhos, ela estava sempre disposta a ajudar os outros", recordou a ex-colega. Myriam ressaltou a importância da fé no cotidiano da baiana e o amor que ela tinha pelos filhos. "O que ela vai deixar aos filhos, à família e para todos nós, moradores de Nice, é seu sorriso, sua alegria." As últimas palavras dela, segundo testemunhas, foram: "Digam aos meus filhos que eu os amo". Simone morava na França há 30 anos.

O autor do ataque, o tunisiano Brahim Issaoui, 21 anos, foi preso em flagrante e continua na UTI, depois de ter sido ferido por policiais. Ele vem de uma família modesta da Tunísia.

A mãe e um irmão de Brahim revelaram hoje que ele abandonou os estudos e, há dois anos, se voltou para a religião. Desde então, passou a viver isolado. Os familiares descobriram que ele chegou à França na noite de quarta-feira (28), na véspera do ataque, quando telefonou à mãe e ao irmão para dar notícias. "Ele disse que tinha ido para a França por ser mais fácil para encontrar trabalho", declarou o irmão. O tunisiano havia entrado na Europa em 20 de setembro, junto com um grupo de 300 migrantes que desembarcaram na ilha de Lampedusa, na Itália.

O autor da carnificina na igreja ainda não pôde ser interrogado, por estar em estado grave, mas tem o perfil típico dos terroristas recrutados nos últimos 20 anos por organizações fundamentalistas como a Al Qaeda e o grupo Estado Islâmico: vem de um meio social desfavorecido, se radicalizou repentinamente e se afastou da família. Em meia hora, ele degolou uma mulher de 60 anos, atacou o sacristão laico da basílica também no pescoço e deu vários golpes na brasileira, que conseguiu fugir da igreja, mas morreu uma hora e meia mais tarde.

Investigações

A polícia francesa deteve um homem de 47 anos que conversou com o tunisiano na véspera do atentado, ou seja, no dia em que ele chegou à França.

Nesta sexta-feira, as autoridades da Tunísia abriram uma investigação para verificar a existência de uma organização denominada Madhi, que teria reivindicado o atentado contra a basílica. Mas é um grupo desconhecido e a reivindicação não foi autenticada.

Na véspera do feriado de Todos os Santos e Finados, este ano mais restrito por causa do lockdown, o ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, disse que "novos atentados são prováveis". Darmanin, da ala conservadora do governo, afirmou que o país está em guerra contra uma "ideologia islâmica" e não contra a religião muçulmana. O governo reforçou o patrulhamento nas ruas. Agora são 7 mil militares que irão proteger a entrada de escolas e locais de culto, sejam igrejas, mesquitas ou sinagogas.

Desde 2012, a França registrou 55 ataques terroristas. Eles causaram a morte de mais de 293 pessoas.

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