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Um pulo em Paris

França aumenta intervalo entre injeções para rentabilizar doses da vacina contra Covid-19

Áudio 05:52
Centro de vacinação anti-Covid no hospital Ambroise Paré, em Boulogne Billancourt, na região parisiense, para pessoas com mais de 50 anos.
Centro de vacinação anti-Covid no hospital Ambroise Paré, em Boulogne Billancourt, na região parisiense, para pessoas com mais de 50 anos. AFP - THOMAS SAMSON
12 min

A França está acelerando sua campanha de vacinação contra o coronavírus depois de um início moroso na última semana de dezembro. Entre as medidas anunciadas pelo governo para intensificar o ritmo da imunização estão a abertura de 300 postos de vacinação na segunda-feira (11) e outros 300 até o fim do mês. Para alcançar o objetivo de vacinar 1 milhão de pessoas até o fim de janeiro, o Ministério da Saúde também decidiu aumentar o intervalo entre a primeira dose e a segunda injeção da vacina: em vez de três semanas, este prazo foi esticado para seis semanas.

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O grupo prioritário dessa primeira fase, que inclui idosos em casas de repouso, cuidadores, o pessoal dos hospitais e bombeiros com mais de 50 anos, será ampliado em 18 de janeiro para todas as pessoas com mais de 75 anos que queiram se vacinar. Antes, eles só receberiam a vacina em fevereiro. Mas quando os franceses viram que alemães, britânicos e israelenses aderiram às injeções sem vacilar, eles passaram a pressionar as autoridades em relação ao planejamento inicial.

Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (8) mostra que 56% dos franceses querem tomar a vacina anti-Covid-19, contra 40% de respostas positivas em uma sondagem realizada em dezembro.

O governo estuda meios de otimizar as doses do produto da Pfizer/BioNTech para imunizar mais gente em menos tempo. Na documentação oferecida pela Pfizer, é possível ampliar o intervalo entre as duas doses em até seis semanas, sem comprometer a proteção do paciente.

A utilização da vacina da Moderna foi aprovada nesta sexta-feira (8) pelas autoridades competentes e vai reforçar a campanha. Especialistas dizem que pode haver uma pequena perda de eficácia em relação aos resultados dos testes clínicos, que demonstraram de 94% a 95% de proteção contra a Covid-19 nas duas vacinas à base do RNA mensageiro. Mas a diferença será compensada por um número maior de pessoas imunizadas, diz a infectologista Odile Launay. 

Raspando o fundo do tacho

Launay, que faz parte da comissão de especialistas que assessora o governo, informou que o Ministério da Saúde estuda rentabilizar o frasco multidoses da vacina da Pfizer. Cada unidade deveria render cinco injeções, mas as autoridades descobriram que é possível extrair seis doses sem dificuldades, gerando um ganho de 20% no aproveitamento do produto.

Atualmente, a França recebe 500 mil doses da vacina da Pfizer/BioNTech por semana. No caso da Moderna, serão 500 mil por mês. Até o fim de janeiro, o país irá dispor de 2,5 milhões de doses, o que vai permitir a intensificação do ritmo do calendário vacinal.

O Reino Unido está fazendo isso de uma maneira mais desesperada, por causa da explosão de casos com a variante mais contagiosa do vírus. Os britânicos dilataram o prazo da injeção de reforço para 3 meses e até vão experimentar um mix de vacinas: uma dose da Pfizer ou da Moderna, e o reforço com o imunizante da AstraZeneca desenvolvido em parceria com a Universidade de Oxford, que é bem mais barato e de fácil conservação e transporte. A França não enfrenta a mesma emergência epidemiológica, pelo menos por enquanto.

A vacina da Pfizer/BioNTech se mostrou eficaz contra uma "mutação-chave" das variantes britânica e sul-africana do coronavírus, segundo resultados divulgados hoje pela BioNTech. Paralelamente, a União Europeia (UE) concluiu um acordo com essa farmacêutica para aumentar de 300 milhões para 600 milhões o número de doses de seu abastecimento em vacinas, e acelerou o processo para autorizar o imunizante de Oxford, que será o terceiro distribuído no bloco.

Preocupação com a variante inglesa do coronavírus

As variantes do coronavírus identificadas na África do Sul e na Inglaterra já circulam na França. A cepa sul-africana foi diagnosticada em duas pessoas no território francês, enquanto o vírus inglês foi identificado em um agente municipal que trabalha em duas escolas de Bagneux, um subúrbio da região parisiense.

Neste sábado (9), haverá uma campanha de testagem em massa dos 38 mil habitantes de Bagneux. A pessoa contaminada não viajou recentemente nem teve contato com pessoas que tenham viajado para o Reino Unido, o que sugere que essa mutação mais contagiosa já circula há algum tempo na França. Um outro suposto cluster do vírus inglês, descoberto perto Rennes (oeste), num centro de geriatria, ainda aguarda análises adicionais. Inicialmente, o Ministério da Saúde pensou que se tratava da mutação do coronavírus que assola a Inglaterra, mas a cepa sequenciada numa funcionária do estabelecimento não é a mesma.

A França registrou 19.814 novos casos positivos em 24 horas nesta sexta-feira, contra 25.379 no dia anterior. Comparativamente com os vizinhos europeus, o país se encontra em uma situação sanitária menos tensa, porque decretou um lockdown parcial e toque de recolher noturno desde o mês de outubro. Restaurantes, bares, cafés, museus, cinemas, teatros e academias de ginástica foram rapidamente fechados, quando as contaminações atingiam quase 50 mil infecções por dia. Porém, os franceses sabem que essa variante inglesa do coronavírus tende a se espalhar, por ser mais contagiosa, e substituir as que estavam circulando até agora no bloco, o que significa um aumento das transmissões nas próximas semanas.

A vacinação será fundamental para controlar a epidemia, disse a infectologista Odile Launay. As regiões leste, sudeste e áreas do sul do país são as mais afetadas pela Covid-19 nessa segunda onda da pandemia.

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