Um pulo em Paris

Celebridade que organizava festas clandestinas é detida na França e pode pegar um ano de prisão

Áudio 05:35
Festa clandestina foi realizada no Palácio Vivienne, um palacete no centro Paris/
Festa clandestina foi realizada no Palácio Vivienne, um palacete no centro Paris/ © AFP/Thomas Coex

A polícia francesa prendeu nesta sexta-feira (9) para interrogatório dois homens acusados de terem organizado jantares luxuosos em Paris apesar das restrições sanitárias ligadas à pandemia de Covid-19. Um deles é um colecionador famoso por participar de programas de televisão. O caso foi revelado por uma reportagem realizada com uma câmera escondida e que foi ao ar no fim de semana.

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Um dos acusados é o chef Christophe Leroy. Ele é autor de vários livros de gastronomia e conhecido por organizar banquetes para celebridades francesas.

Mas o mais famoso é Pierre-Jean Chalençon, que se apresenta como especialista em objetos da época de Napoleão 1° (início do século 19), que coleciona. Ele se tornou conhecido do grande público desde 2014, quando começou a participar de programas de televisão como perito em antiguidades. Chalençon fez parte do elenco de pelo menos três programas, dois deles no principal canal do serviço público de televisão francês, além de participar de um famoso programa de rádio.  

Ele e Leroy estão sendo interrogados pela Brigada de Repressão ao Crime contra Pessoas (BRDP), responsável pelas investigações.

Câmera escondida e ministros suspeitos

O escândalo explodiu com a difusão no canal de televisão M6 de uma reportagem sobre festas e jantares secretos destinados à elite parisiense. Nas imagens, é possível ver garçons e convidados sem máscara, como se não houvesse pandemia. Os cardápios, elaborados por Christophe Leroy, custavam entre € 160 e € 500.

Uma das festas foi realizada por Chalençon em uma sala de baile com ares de palacete no centro de Paris, que pertence ao colecionador. Ao ser questionado sobre o evento, ele disse que a França ainda era "uma democracia na qual cada um é livre de fazer o que quiser".

Chalençon também insinuou que vários ministros teriam participado de suas festas, antes de se retratar dizendo ter respondido com ironia. Diversos membros do governo tiveram que se exprimir sobre o assunto, negando qualquer participação nos eventos clandestinos.

O colecionador e o chef podem ser punidos com um ano de prisão e uma multa de € 15 mil por colocarem em risco a vida de terceiros Já os participantes dos eventos, se forem identificados, podem levar duas multas de € 135 – uma por desrespeito ao toque de recolher, e outra por não usarem máscaras de proteção em espaços públicos.

300 restaurantes multados

A França mantém todos os restaurantes e cafés fechados desde o final de outubro. Por essa razão, o controle de festas clandestinas vem aumentando.

Nos últimos cinco meses, as autoridades de Paris multaram cerca de 1.000 clientes de restaurantes que funcionam ilegalmente. Segundo o ministério francês do Interior, mais de 7 mil restaurantes foram fiscalizados e 300 foram sancionados.

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