Um pulo em Paris

Para reabrir escolas, França aposta na intensificação dos testes rápidos da Covid-19

O ministro francês da Educação, Jean-Michel Blancher, em visita a uma escola do ensino básico, em 22 de março de 2021.
O ministro francês da Educação, Jean-Michel Blancher, em visita a uma escola do ensino básico, em 22 de março de 2021. AFP - FRANCOIS LO PRESTI

Depois de quatro semanas de lockdown, a França reabre na próxima segunda-feira (26) creches e escolas até o 5° ano do ensino básico. Apesar da pressão dos hospitais, que consideram a reabertura desses estabelecimentos uma aberração, enquanto o país continua com uma média diária de 30 mil casos positivos da Covid-19, o governo aposta na intensificação dos testes salivares em crianças de até 10 anos para garantir o retorno às aulas presenciais. 

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No fim de março, quando o governo decretou o lockdown e o fechamento das escolas, o ritmo dos testes salivares era de 250 mil por semana. Agora, a escala vai aumentar para 400 mil testes por semana e chegar a 600 mil em meados de maio. O Ministério da Educação vai destinar o produto às regiões mais afetadas pela epidemia.

Existem muitos fabricantes desses testes no mercado europeu, mas a França só autorizou os que têm uma fiabilidade igual ou superior a 80%. O teste de saliva é bem menos invasivo do que um teste PCR: a criança cospe num pote estéril e depois a amostra segue para análise no laboratório. Em 24h, chega o resultado. Se houver um caso positivo, a classe será imediatamente fechada por duas semanas. O aluno infectado deverá confirmar o diagnóstico com um PCR tradicional.

A ideia do governo é aplicar esse teste de saliva duas vezes por semana, nas regiões de intensa circulação do vírus. Os professores e o restante do pessoal que trabalha nas escolas vão receber o kit de teste rápido de antígeno, para fazer em casa. 

A França está adotando o que já se faz na Áustria e no Reino Unido, com algumas adaptações.

Os alunos do ensino médio, com idades acima de 15 anos, professores e funcionários das escolas vão receber do governo um autoteste nasal menos incômodo que um PCR tradicional. O Ministério da Saúde encomendou 64 milhões desses testes, que dão resultado em 15 minutos. Para os alunos do 6° ao 9° ano, ainda não foi decidido se será o de saliva ou o do cotonete no nariz. As autoridades prometem anunciar a decisão no início da semana. Para essa faixa etária, o retorno das aulas está previsto em 3 de maio. 

Já está definido que na primeira semana de aula os estudantes vão aprender na escola a fazer o teste, com enfermeiras e equipes contratadas para isso. Depois, passarão a fazer sozinhos em casa, duas vezes por semana. Os professores e funcionários também devem seguir esse ritmo. 

Enquanto no ensino básico não haverá cursos à distância, os alunos do 6° ao 9° ano e do ensino médio voltarão às aulas com apenas a metade da classe em aula presencial e a outra em ensino à distância. As classes serão divididas em dois grupos, para reduzir o risco de contaminação e garantir o distanciamento físico na sala de aula. 

Teste de farmácia

A França começou a vender o teste rápido de antígeno do coronavírus, que se faz com um cotonete no nariz e o resultado sai em 15 minutos, em 12 de abril. Mas só para maiores de 15 anos. O preço é tabelado: até 15 de maio, está custando € 6, cerca de € 40; depois dessa data vai baixar para € 5,20, aproximadamente R$ 34. Donos de supermercados pressionam o governo para também vender o produto, por enquanto sem sucesso.

Outro anúncio importante da semana diz respeito às pessoas que sofrem de obesidade. Finalmente, o Ministério da Saúde sinalizou que pretende vacinar os obesos e pessoas que estiverem com um sobrepeso consequente, independentemente da idade. Os obesos ocupam 47% dos leitos de UTI na França e representam 40% das mortes desde o início da epidemia.

A partir deste sábado (24), as pessoas com mais de 55 anos de idade começam a ser vacinadas. Até quarta-feira (21), 19,8% dos franceses haviam recebido a primeira dose de um imunizante contra a Covid-19, e 7,5% as duas doses.

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