Um pulo em Paris

Paris tem fan zone para assistir à Olimpíada em meio à explosão de casos da variante Delta

Áudio 09:00
Fan zone instalada em Paris para assistir à Olimpíada, nos jardins do Trocadéro.
Fan zone instalada em Paris para assistir à Olimpíada, nos jardins do Trocadéro. REUTERS - BENOIT TESSIER

Apesar do aumento rápido de casos da variante Delta, a prefeitura de Paris inaugurou nesta sexta-feira (23) uma fan zone nos jardins do Trocadéro, em frente à Torre Eiffel, para transmissão das provas dos Jogos Olímpicos de Tóquio. O espaço efêmero, com telão, atividades esportivas e encontro com atletas, ficará aberto diariamente até o fim do evento no Japão, em 8 de agosto. Depois, será reaberto para as Paralimpíadas, de 28 de agosto a 8 de setembro.

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No primeiro dia de funcionamento da fan zone nos jardins do Trocadéro, havia poucos frequentadores. A cidade está relativamente vazia por causa das férias de verão. A programação gratuita é promovida pelo Comitê Organizador de Paris-2024. Por outro lado, diante de outros telões instalados em zonas turísticas no litoral e interior do país, muitos franceses se reuniram para assistir à cerimônia de abertura de Tóquio-2020. O contraste era a falta de público no estádio olímpico japonês.

Para ter acesso à fan zone de Paris, os espectadores devem apresentar passaporte sanitário – teste negativo de Covid-19 de 48 horas de validade ou atestado de vacinação completa. O uso de máscara é obrigatório, mesmo ao ar livre. Ex-campeões do mundo e campeões da Europa em várias modalidades aproveitam a ocasião para envolver o público na preparação da Olimpíada de 2024. A questão é que essa programação intensa, quando foi planejada, não contava com a explosão de casos da variante Delta.

A variante descoberta na Índia se alastra em todo o território francês, principalmente em cidades turísticas das regiões sul, leste e oeste. Apesar de 58% dos franceses já terem tomado pelo menos uma dose da vacina e 48% as duas doses, os epidemiologistas advertem que os hospitais não devem escapar de um afluxo massivo de doentes. Em 24 horas, a França registrou 22 mil novas infecções, e a previsão é de 50 mil contaminados no início de agosto. 

A taxa de incidência da Delta progride principalmente entre pessoas de perfil jovem, com idades de 12 a 29 anos, um público menos vacinado. Nas cidades de praia, onde se observa um aumento rápido dos casos, muitos prefeitos já voltaram a exigir o uso da máscara ao ar livre. 

A fan zone no Trocadéro em Paris no primeiro dia da abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio.
A fan zone no Trocadéro em Paris no primeiro dia da abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio. © Captura de tela/ imagens BFMTV

Epidemiologista defende "medidas urgentes"

O presidente do Conselho Científico que assessora o presidente Emmanuel Macron nas decisões sobre a pandemia, Jean-François Delfraissy, pediu nesta sexta-feira (23) ao governo que adote "medidas urgentes" para conter a quarta onda. Pela primeira vez em quatro meses, o número de hospitalizações aumentou 55% no intervalo de uma semana, e os casos graves de Covid-19, que requerem UTI, deram um salto de 35%.

Vários focos de contaminação têm sido identificados entre pessoas que estiveram em discotecas, bares ou que participaram de festas onde houve aglomeração. 

O governo defendeu a vacinação como uma espécie de "passaporte da liberdade" para os franceses e, agora, enfrenta uma dificuldade política para restringir os deslocamentos, ainda mais no meio das férias. Como já aconteceu no ano passado, é provável que medidas drásticas só sejam decretadas quando a ocupação dos hospitais apertar. É aquela sensação de déjà-vu. 

O presidente do Conselho Científico previu que o retorno à vida normal não vai acontecer agora, mas quem sabe em 2022 ou 2023. Uma nova variante deve aparecer no inverno no Hemisfério Norte, no segundo semestre do ano. Sem falar que a situação de desigualdade em relação à vacinação, entre os países ricos e os menos desenvolvidos, tende a persistir por muito tempo.

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