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Cuba facilita uso de dólares na ilha comunista para resgatar economia atingida por Covid-19

Cubanos andam pelas ruas de Havana usando máscaras, em 19 de julho de 2020.
Cubanos andam pelas ruas de Havana usando máscaras, em 19 de julho de 2020. REUTERS - ALEXANDRE MENEGHINI
Texto por: RFI
3 min

Cuba amplia o uso do dólar em meio à crise econômica agravada pela pandemia de coronavírus. O país eliminou o imposto de 10% sobre a moeda norte-americana, aplicado desde 2004.

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"Vamos eliminar esses 10% do imposto [ao dólar], mesmo em meio à hostilidade e à intensificação do bloqueio dos Estados Unidos", disse o ministro da Economia de Cuba, Alejandro Gil, à TV estatal. Durante 16 anos, o governo aplicou uma penalidade à taxa de câmbio do dólar com o objetivo de combater as dificuldades causadas pelas sanções dos EUA.

"As autoridades impuseram essa taxa para desencorajar a entrada de dólares, já que Cuba não pode usar dólares norte-americanos em suas transações internacionais e, portanto, não pode trocá-los facilmente em bancos internacionais", afirmou à RFI Ricardo Torres, economista da Universidade de Havana.

O imposto não interrompeu o fluxo de dólares e criou um mercado informal de moedas. Apesar da alta demanda, os consumidores tiveram que depositar no banco os dólares que costumam receber via remessas familiares, mas com uma multa de 10%. Na segunda-feira (20), para cada dólar, apenas 90 centavos entraram no banco.

"Agora, o governo busca expandir os segmentos de mercado nos quais as transações com dólares podem ser feitas, através de cartões e não de trocas físicas. Ele deseja passar de uma dolarização informal para uma dolarização mais institucional", afirma Ricardo Torres.

Uma economia em crise

A Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) prevê uma contração do PIB cubano de 8% em 2020, como consequência da pandemia. O turismo é o motor econômico do país, mas está paralisado há quatro meses.

"A crise não começou com a pandemia. No caso de Cuba, os problemas desde 2014 na Venezuela, o primeiro parceiro econômico do país, têm a ver com as novas sanções que os Estados Unidos introduziram desde que Donald Trump chegou ao poder. Temos que ver a reforma econômica interna de Cuba desde 2010 e que não produziu resultados esperados ", lembra o economista da Universidade de Havana.

Agora, com a pandemia, o governo está trabalhando no projeto de micro e pequenas empresas, estatais e privadas, bem como na participação de investimentos estrangeiros na produção de alimentos.

"Este é um sistema de medidas que visa nos fortalecer, não apenas para resistir, mas também para avançar e desenvolver", disse o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.

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