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ACP com liderança lusófona inédita: Georges Chikoti é secretário-geral

Áudio 21:16
Georges Chikoti, secretário-geral dos países ACP em Bruxelas, Bélgica, a 3 de Março de 2020.
Georges Chikoti, secretário-geral dos países ACP em Bruxelas, Bélgica, a 3 de Março de 2020. © rfi/MIguel Martins

Os ACP, 79 países de África, Caraíbas e Pacífico, têm desde esta segunda-feira, e por um mandato que vai até 2025, um secretário-geral lusófono. Georges Chikoti, ex chefe da diplomacia angolana, assume a liderança do bloco.O também embaixador de Angola junto da União Europeia, em Bruxelas, pois, sede também dos ACP, numa entrevista exclusiva à rfi, começou por levantar o véu sobre as prioridades que define para o mandato;E isto a pensar na renegociação do Acordo de Cotonou, definindo as relações entre os futuramente 27 Estados europeus e o bloco dos ACP.

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Georges Chikoti pretende imprimir maior dinamismo à organização, assegurando desde já a respectiva estabilidade financeira, através de uma estratégia cabal de capitalização de recursos.

Para dar maior visibilidade ao grupo o antigo ministro angolano das relações exteriores aposta na criação de mercados regionais integrados e no reforço da cooperação multilateral, sem descartar as questões climáticas e de resiliência.

Numa altura em que o Acordo de Cotonou, que sucedeu à Convenção de Lomé, acaba de caducar 2020 será o ano para negociar um novo protocolo para um grupo que passou de 18 membros, no início, para os actuais 79.

O impacto do Brexit, que deve ser concluído até ao final do ano, em termos do relacionamento dos ACP com a União Europeia e, futuramente, um Reino Unido dela excluído, foi uma das tónicas da entrevista com Georges Chikoti.

Onde este focou também o fundo fudiciário criado e a necessidade de granjear maior disciplina orçamental para o bloco, visto que por ora apenas 71% das contribuições estão em dia.

A RFI procurou saber quais as prioridades do novo protocolo a definir e qual o lugar da língua portuguesa. Tratando-se da primeira vez que um lusófono chega ao cargo de secretário-geral do bloco.

Georges Chikoti promete dar maior visibilidade ao português na organização e admite que, para além de uma conquista da diplomacia angolana, a sua eleição em Dezembro no Quénia e a sua tomada de posse, esta semana na capital belga, para um mandato até 2025, foi vivida pela lusofonia como uma vitória do grupo.

Presente, aliás, na sua tomada de posse esteve para além de Téte António, secretário de Estado angolano das relações exteriores, Luís Filipe Tavares. O ministro cabo-verdiano dos negócios estrangeiros, cujo país preside até Setembro os destinos da CPLP, Comunidade dos países de língua portuguesa, enalteceu a importância deste feito, realçando as qualidades do novo líder dos ACP.

Georges Chikoti admitiu a sua preocupação em torno da crise política guineense, lamentando as reiteradas intervenções de militares e a necessidade urgente de reformar o sector.

O também embaixador angolano junto da União Europeia lamentou o facto de políticos temerem pela sua segurança, ao ponto de pedirem protecção em embaixadas de Bissau, Chikoti apelou a uma posição firme da União Africana e à presença de uma força africana ou internacional para garantir a paz.

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