Acesso ao principal conteúdo
Argélia/França/Diplomacia

Argélia convoca embaixador em França, após documentários sobre protestos no país

Manifestação anti-governo em Argel a 11/12/2019, na véspera das eleições presidenciais.
Manifestação anti-governo em Argel a 11/12/2019, na véspera das eleições presidenciais. RYAD KRAMDI / AFP
Texto por: Isabel Pinto Machado com AFP
3 min

A Argélia convocou "imediatamente" para consultas o seu embaixador em França esta quarta-feira (27/05) após a difusão na véspera na televisão pblica francesa de dois documentários sobre o movimento de contestação ao regime, designado "Hirak".

Publicidade

As tensões frequentes entre a Argélia e a França, sua antiga potência colonial, geram um novo imbróglio diplomático, com o ministério das Relações Exteriores de Argel a convocar "imediatamente" o embaixador em Paris Salah Lebdioui, após a difusão de dois documentários sobre os protestos anti-regime na televisão pública francesa.

"O carácter recorrente de programas difundidos pelos canais televisivos públicos franceses, incluindo as últimas na France 5 e no Canal Parlamentar (LCP), dia 26 de maio, em aparência espontâneas e sob o pretexto da liberdade de expressão, constituem de facto ataques contra o povo argelino e as suas instituições, incluindo o Exército nacional popular [ANP]", pode ler-se no comunicado do ministério argelino das Relações Exteriores.

Estes dois canais difundiram com efeito na terça-feira (26/05) dois documentários, sobre o movimento de protesto conhecido na Argélia como "Hirak", que geraram muita controvérsia nas redes sociais argelinas: "Algérie mon amour" do jornalista e realizador de origem argelina Mustapha Kessous e "Algérie: les promesses de l'aube" de Julie Peyrard.

"Sem comentário" reagiu o grupo France Télévisions de que France 5 é um dos canais, em reação ao comunicado oficial argelino que afirma "este activismo...revela as intenções malévolas e duráveis de alguns meios que não desejam que as relações entre a França e a Argélia sejam apaziguadas, após 58 anos de independência".

De recordar que no início de abril o embaixador de França em Argel, Xavier Driencourt, foi convocado ao ministério das Relações Exteriores em Argel, a propósito das declarações de um interveniente no canal público internacional France 24, sobre a ajuda médica chinesa, que não agradou às autoridades argelinas.

O embaixador respondeu que "os orgãos de imprensa têm uma independência total em França, protegida pela lei". 

No início de 2020, o Presidente argelino Abdelmadjid Tebboune durante um encontro com a imprensa do seu país apelou ao "respeito mútuo" nas relações franco-argelinas, estimando que a "Argélia não uma coutada da França..e a sua nova geração e direcção não aceitará nenhuma intromissão ou tutela", advertiu, numa referência a declarações do Presidente Emmanuel Macron, no início do movimento anti-regime "Hirak" quando apelou a "uma transição de duração razoável", propósitos considerados como uma "ingerência" nos assuntos da Argélia.

"Hirak" repressão e Covid-19

A Argélia oficialmente tem 8.857 casos positivos de Covid-19 e 623 óbitos, desde o primeiro caso identificado a 25 de fevereiro de 2020.

As mobilizações do movimento de contestação ao regime "Hirak", que se prolongam ininterruptamente desde fevereiro de 2019, foram interrompidas devido às medidas de confinamento provocadas pela crise sanitária causada pela pandemia de Covid-19.

Em março, e no âmbito das medidas para evitar a propagação do novo coronavírus, foram proibidas as concentrações de pessoas, de caráter político, religioso, cultural ou desportivo.

Desde o início da pandemia e a interrupção forçada das manifestações do "Hirak", cidadãos e organizações de defesa dos direitos humanos têm denunciado a repressão e mesmo prisão de opositores políticos, internautas, jornalistas e media independentes, bem como o bloqueio nas últimas semanas de vários "sites" de informação, que o governo acusa de serem financiados por "organizações estrangeiras".

A justiça argelina recusou nesta quarta-feira (27/05) o pedido de liberdade provisória do jornalista Khaled Drareni, detido desde finais de março, que se tornou num símblo do combate pela liberdade de imprensa.

A Argélia figura na 146 posição - em 180 países - na classificação mundial sobre a liberdade de imprensa em 2020 estabelecida pela ong Repórteres sem Fronteiras e desceu 25 lugares em relação a 2015.

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Acompanhe toda a actualidade internacional fazendo download da aplicação RFI

Página não encontrada

O conteúdo ao qual pretende aceder não existe ou já não está disponível.