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Mali/CEDEAO/Oposição

Mali: oposição rejeita plano da CEDEAO e apela à desobediência civil

Militantes do M5-RFP - Movimento da oposição maliana, arvorando cartaz com dístico "este regime é um coronavírus para o Mali", Bamako 20 Julho 2020.
Militantes do M5-RFP - Movimento da oposição maliana, arvorando cartaz com dístico "este regime é um coronavírus para o Mali", Bamako 20 Julho 2020. MICHELE CATTANI / AFP
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No Mali o movimento M5, aliança heteróclita da oposição, rejeita o plano de saída de crise e partilha de poder proposto pela delegação de alto nível da CEDEAO e apela à desobedência civil, com barricadas erguidas na manhã desta segunda-feira nas periferia da capital Bamako.

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Esta segunda-feira (20/07) os manifestantes ergueram uma dúzia de barricadas em eixos periféricos da capital Bamako e designadamente na estrada de Koulikoro, uma cidade situada à saída de Bamako e perturbaram a circulação nalguns cruzamentos, queimando pneus, mas as três pontes de Bamako sobre o rio Niger, não foram cortadas e a circulação era fluida.

Um forte dispositivo de polícia patrulha as pontes e grandes artérias da capital desde a noite de domingo (19/07), depois de ter sido tornada pública a declaração da delegação da CEDEAO, chefiada pelo antigo Presidente da Nigéria, Jonathan Goodluck, que desde quarta-feira (15/07) e durante quatro sessões, tentou encontrar uma solução para resolver a crise socio-política que o Mali atravessa desde Junho, que provocou pelo menos 11 mortos e mais de 100 feridos em confrontos entre manifestantes da oposiçao e forças da ordem.

movimento de contestação 5 de Junho conhecido pela sigla - M5-RFP - aliança heteróclita de chefes religiosos e personalidades do mundo político e da sociedade civil - manifestou o seu desacordo com o plano de saída crise, rejeitando a proposta de formação urgente de um governo de união nacional, com 50% nomeados pela coligação maioritária no poder, 30% pela oposição e 20% pela sociedade civil, bem como a nomeação de um novo Tribunal Constitucional.

Até ao momento nem o campo presidencial, nem a oposição tomaram oficialmente posição sobre o que irá acontecer, após semanas de tensão e confrontos.

Mas embora sob anonimato, uma fonte da presidência maliana afirmou à agência francesa de informações - AFP - anunciou a chegada esta quinta-feira (23/07) a Bamako de quatro chefes de Estado da sub região: Mahamadou Issoufou do Níger, Alassane Ouattara da Costa do Marfim, Macky Sall do Senegal e Nana Akufo-Addo do Gana, declarou à agência francesa de informações - AFP - sob anonimato, um responsável da presidência maliana.

A principal reivindicação do M5 é a demissão do Presidente Ibrahim Boubacar Keita, facto ao qual a declaração final da CEDEAO nem sequer faz alusão, nem tão pouco à mudança de primeiro-ministro e dissolução do parlamento, temas na base das manifestações desde Junho, que deram origem a um amplo movimento de contestação, que uniu a oposição,

A urgência é resolver o contencioso eleitoral na sequência das eleições legislativas de março/abril deste ano e a nomear novos juízes para o Tribunal Constitucional, demitido a 12 de Julho, para tentar apaziguar os protesto e que deverão rever os resultados eleitorais, validados pelo anterior TC, que no entanto em maio anulou os resultados provisórios das eleições de cerca de 30 mesas de voto.

A questão relativa a eleições legislativas antecipadas, que fazia parte das recomendações da primeira missão da CEDEAO em Junho, também não é abordada no comunicado final da CEDEAO.

Á saída de Bamako a delegação da CEDEAO tomou nota da rejeição da sua proposta pelo M5-RFP mas indicou que seria criado um "comité técnico para garantir o seguimento das suas recomendações", o que permite augurar que poderão seguir-se negociações entre as partes.

No poder desde 2013, o Presidente Ibrahim Boubacar Keira cujo último mandato termina em 2023 é contestado nas ruas desde Junho, pois ao clima de exasperação, alimentado há anos pela instabilidade e insegurança, ligadas às violências jihadistas e inter-comunitárias no centro e norte do Mali, acresce-se o marasmo económico e uma corrupção endémica.

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