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Angola/Moçambique/Fome

FAO/PAM: Moçambique e Angola entre os 27 países que vão enfrentar grave crise alimentar

Moçambique e Angola figuram na lista de 27 países estabelecida pela FAO e PAM, que vão enfrentar a pior crise alimentar das últimas gerações.
Moçambique e Angola figuram na lista de 27 países estabelecida pela FAO e PAM, que vão enfrentar a pior crise alimentar das últimas gerações. Reuters/Thomas Mukoya
7 min

Duas organizações das Nações Unidas - FAO e PAM -  estabeleceram uma lista de pelo menos 27 países no mundo, entre os quais Moçambique, mas também Angola, que deverão enfrentar a pior crise alimentar das últimas gerações, sendo que em Moçambique a insegurança no norte do país agrava a situação. 

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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura - FAO - e Programa Alimentar Mundial - PAM - identificaram 27 países que deverão enfrentar uma crise alimentar provocada pela pandemia de Covid-19, já que "os seus efeitos agravam as potencialidades anteriormente existentes de fome", pode ler-se no relatório recentemente divulgados por estas duas organizações da ONU.

Os dados revelam que "estes 27 países estão em risco, ou nalguns casos já estão a ver uma significativa deterioração da segurança alimentar, incluindo o aumento do número de pessoas empurradas para a situação de fome extrema", alerta o relatório.

Nenhuma região do mundo está ao abrigo de uma crise alimentar iminente e a FAO e o PAM estabeleceram uma lista, que vai do Afeganistão ao Bangladesh na Ásia, de Haiti à Venezuela e América Central, do Iraque ao Líbano, Iémen e Síria no Médio Oriente, ou ainda Moçambique, Angola, Etiópia, Somália, Burkina-Faso, Camarões, Libéria, Níger, Mali, Serra Leoa, Zâmbia e Zimbabué, ao todo são 12 países africanos na lista de 27, situados sobretudo na África subsahariana. 

Estes países já tinham elevados níveis de insegurança alimentar e fome extrema mesmo antes da pandemia de Covid-19, devido a choques anteriores, como crises económicas, instabilidade e insegurança, condições climáticas extremas, pestes herbívoras e doenças de animais, segundo o director-geral da FAO, Qu Dongyu.

"Agora, estão na linha da frente e a sofrer na pele os efeitos disruptivos da Covid-19 nos sistemas alimentares, que estão a propiciar uma crise alimentar dentro de uma crise de saúde; não podemos pensar neste risco como algo que vai acontecer lá mais para a frente, não podemos tratar isto como um problema futuro, temos de fazer mais para salvaguardar quer os sistemas de saúde, quer as populações mais vulneráveis, e temos de fazer isso agora mesmo", alertou.

Segundo a FAO e o PAM a pandemia de Covid-19 vai agravar a situação de fome, porque o desemprego implica que há menos dinheiro para a alimentação e os trabalhadores que emigraram enviam menos remessas às famílias.

A nível dos governos afectados, a queda das receitas públicas significa que os programas de segurança social como as refeições escolares deixaram de ser financiados, a produção e oferta alimentar diminuiram drasticamente com a pandemia, porque esta contribuiu para multiplicar os conflitos entre comunidades em relação aos recursos naturais, água e pastagens, com efeitos perturbadores sobre a produção e o sector agrícola.

Insegurança em Cabo Delgado agrava situação em Moçambique

A África Austral teve apenas uma época normal de chuvas nos últimos cinco anos e enfrentou, no último ano, a pior época de insegurança alimentar dos últimos dez anos, aponta-se no relatório, que salienta que "a situação é agravada pela pobreza generalizada, má nutrição crónica e choques macroeconómicos em países como Angola, Zâmbia e Zimbabué, e a insegurança no norte de Moçambique".

A pandemia de Covid-19 deixa os países da África Austral, mais vulneráveis devido às fracas condições económicas e à pouca capacidade de resposta dos sistemas de saúde, pode ainda ler-se no relatório.

Sobre Moçambique, a FAO e o PAM consideram que "o país, que foi alvo de múltiplos choques, que causaram uma situação de insegurança alimentar aguda, que o torna extremamente vulnerável aos impactos da pandemia de Covid-19, dada a sua dependência da importação de alimentos, que estão agora expostos a flutuações de preços, e das exportações de matérias-primas, que devem baixar e resultar num abrandamento das receitas governamentais e preços mais altos dos alimentos".

Para além disto, concluem estas duas agências da ONU: "a insegurança em Cabo Delgado, a província mais afectada pela Covid-19, está a deteriorar-se rapidamente com as capacidades e estratégia dos insurgentes a evoluirem rapidamente, o que permite augurar que o número de 200 mil deslocados possa aumentar e que o acesso a alimentos possa piorar nos próximos meses".

África totalizava esta sexta-feira (17/07) 14.399 vítimas mortais devido à Covid-19 e 664.051 pessoas infectadas.

Para fazer face a esta crise, a FAO lançou no sábado (18/07) um novo apelo de emergência de 428,5 milhões de dólares, no quadro do Plano de Resposta Hamanitária Global Contra a Pandemia de Covid-19 das Nações Unidas.

Este apelo junta-se ao precedente de 1,1 mil milhões de dólares de ajuda humanitária em 2020, ainda antes da declaração da pandemia de Covid-19.

O PAM estima em 4,7 mil milhões de dólares a ajuda alimentar necessária só em 2020.

Segundo o relatório de 8 de Julho 2020 do Banco Africano de Desenvolvimento - BAD - a pandemia de Covid-19 vai colocar 50 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema, quando um terço dos habitantes do continente africano - cerca de 425 milhões de pessoas -  já vivem sob o limiar da pobreza, com menos de 1,90 dólar/dia.

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