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Zimbabué/Covid-19/Repressão

Zimbabué: instaurado recolher obrigatório e detenção de críticos ao regime

Presidente Emmerson Mnangagwa contestado no Zimbabué, onde a oposição apela a manifestações nacionais a 31 de Julho contra a corrupção e pede a sua demissão.
Presidente Emmerson Mnangagwa contestado no Zimbabué, onde a oposição apela a manifestações nacionais a 31 de Julho contra a corrupção e pede a sua demissão. POOL/AFP/File
5 min

O Presidente do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, decretou a instauração do recolher obrigatório nocturno e a manutenção da proibição de aglomerações em público com fins sociais, religiosos ou políticos a partir desta quart-afeira (22/07), oficialmente para combater a pandemia de Covid-19, mas para a oposição que denucia aumento da repressão, o objecitvo é impedir a manifestação anti-corrupção convocada para 31 de Julho.

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"As nossas forças de segurança vão encarregar-se de fazer cumprir o recolher obrigatório imposto ao anoitecer e que dura até ao amanhecer”, destacou o chefe de Estado, que falava enquanto usava uma máscara de protecção.

A concentração de pessoas em espaços públicos com fins sociais, religiosos ou políticos continua proibida”, afirmou ainda o Presidente Emmerson Mnangagwa, que acrescentou que as medidas entram em vigor nesta quarta-feira (22/07) e irão durar “até que a situação melhore”.

Segundo a oposição, estas imposições visam impedir as manifestações anti-governamentais nacionais, agendadas para 31 de Julho para denunciar a corrupção do sistema e exigir a demissão do Presidente Emmerson Mnangagwa, considerado incapaz de fazer frente às terríveis dificuldades económicas com que a população se confronta para subsistir.

A ong de defesa de direitos humanos Amnistia Internacional exige a libertação imediata de dois severos críticos do regime detidos nesta segunda-feira (20/07) acusados de “incitamento à violência” através das redes sociais, apelando a população a manifestar dia 31 de Julho.:

jornalista de investigação Hopewell Chin’ono, detido depois de ter revelado a alegada atribuição de contratos no valor de 60 milhões de dólares pelo Ministério da Saúde a várias empresas para compra a preços inflacionados, de materiais para combater a pandemia de Covid-19.

o líder da oposição, Jacob Ngarivhume, um os principais rostos do apelo à manifestação nacional anti-corrupção de 31 de Julho.

Segundo a Amnistia Internacional "as detenções visam intimidar e enviar uma mensagem aos jornalistas, denunciantes e activistas, que chamam a atenção para questões que interessam o Zimbabué".

A ong defende anida que "as autoridades devem parar de usar o sistema judicial de forma abusiva, para perseguir jornalistas e activistas, que estão apenas a exercer o seu direito à liberdade de expressão e de reunião. As autoridades têm de parar de usar os relatórios da polícia para silenciar a dissidência".

A polícia do Zimbabué diz ter provas suficientes para a sua detenção, enquanto Tafadzwa Mugwadi, porta-voz do partido no poder ZANU-PF afirma que os que exigem a libertação dos dois activistas "estão a tentar intimidar as instituições do Zimbabué, que pretendem que a justiça prevaleça".

Centenas de pessoas, incluindo jornalistas, advogados, médicos e enfermeiros foram detidas nos últimos meses no Zimbabué por protestarem, fazerem greve por melhores salários ou, nalguns casos, simplesmente por fazerem o seu trabalho, enquanto a tensão aumenta no país.

No Zimbabué os dados desta terça-feira (21/07) do Ministério da Saúde indicam que 1.713 pessoas foram infectadas pela pandemia de Covid-19 e registaram-se 26 óbitos.

Mais de 600 infecções foram registadas só na última semana.

A pandemia de Covid-19 é agora a última crise a atingir o Zimbabué, que tem 15 milhões de habitantes e que vive com escassez crónica de alimentos, uma forte crise económica e uma hiperinflação superior a 785%.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 610 mil mortos e infetou mais de 14,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

África contabiliza 15.418 mortos confirmados da pandemia de Covid-19 em mais de 736 mil infectados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia no continente.

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