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CEDEAO tenta nova mediação no Mali

Áudio 09:42
Hotel Sheraton, em Bamako, onde cinco chefes de Estado da CEDEAO tentam mediar o conflito no Mali. 23 de Julho de 2020.
Hotel Sheraton, em Bamako, onde cinco chefes de Estado da CEDEAO tentam mediar o conflito no Mali. 23 de Julho de 2020. AFP - MICHELE CATTANI
Por: Carina Branco

Cinco chefes de Estado de países-membros da CEDEAO reuniam-se, esta quinta-feira, no Mali para procurarem uma solução para a crise política que desde Junho tem provocado violentas manifestações. Glória Silva, empresária residente no Mali, tem acompanhado a instabilidade no país há anos e não acredita que a cimeira resolva a crise.

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O presidente maliano Ibrahim Boubacar Keïta está a enfrentar uma contestação inédita desde a sua chegada ao poder, em 2013. Ao clima de exaustão social alimentada há anos pela instabilidade ao nível da segurança no centro e no norte do país, junta-se o marasmo económico e uma corrupção considerada como endémica. A gota de água foi a anulação pelo Tribunal Constitucional de cerca de 30 resultados das eleições legislativas de Março e Abril. Os protestos contra os resultados, que deram a vitória a partidos políticos aliados do Presidente, resultaram em 11 mortos, segundo as autoridades, e 20, segundo a oposição.

Foi uma coisa nunca vista no Mali. O Tribunal Constitucional, ao longo dos anos e desde o primeiro golpe de Estado, tem sido apartidário e tem tomado decisões correctas. Desta vez não. Foi mesmo uma tomada de decisão partidária do partido no poder e isso foi a gota de água que transbordou”, descreve Glória Silva, empresária residente no Mali.

Esta quinta-feira, cinco chefes de Estado de países-membros da Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) reúnem-se no Mali para procurarem uma solução para a crise. Os presidentes do Níger, Mohamadou Issoufou, da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, do Gana, Nana Akufo-Addo, da Nigéria, Muhammadu Buhari, e do Senegal, Macky Sall, vão reunir-se com o chefe de Estado e também com o imã Mahmoud Dicko, a figura emblemática da contestação, e com os dirigentes do Movimento de 5 de Junho (M5-RFP), a coligação de políticos, religiosos e membros da sociedade civil que pedem a saída do Presidente.

Porém, se a oposição inicialmente pedia a demissão de Ibrahim Boubacar Keïta, agora parece poder-se contentar com a demissão do primeiro-ministro Boubou Cissé, como explica Glória Silva: “Não vai sair nada de novo [da reunião]. A única coisa que eles vão pedir - e já começaram a mudar a linguagem - deixa de ser a cabeça do Presidente e pede-se a cabeça do primeiro-ministro. Mas isso não vai resolver problema nenhum no Mali”, considera.

Para a empresária portuguesa, o restabelecimento de uma assembleia nacional legítima e um governo de união nacional pode ser uma solução, ou então novas eleições gerais.

Num país em que uma grande parte do território escapa à autoridade do Estado e que enfrenta as violências jihadistas e/ou comunitárias quase diariamente, a nova crise política preocupa os seus vizinhos que temem que o país mergulhe no caos. Este receio é partilhado pela população, comenta Glória da Silva.

Todos temos noção que se nós continuarmos nisto, alastramos isto para o Burkina, para a Costa do Marfim onde começa a haver guerrilhas nas fronteiras. A Argélia tem que ser metida nisto porque as fronteiras da Argélia têm muito que ver com as fronteiras do norte do Mali. Ou seja, se o Mali continuar assim, toda aquela zona vai ficar instável e começa a ficar instável já nas fronteiras e isso já se vê. Economicamente estamos todos os dias a regredir e os países ao lado vão entrar na mesma situação”, declara.

Oiça a entrevista completa neste programa.

Convidada Glória Silva, Mali

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