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Mali/fronteiras

ONU visita Keïta, junta militar liberta dois reféns

Junta militar assumiu o poder no Mali, 18 de Agosto.
Junta militar assumiu o poder no Mali, 18 de Agosto. AFP/File
Texto por: Lígia ANJOS
5 min

Junta militar autorizou representantes da ONU a encontrarem-se com o Presidente derrubado, Ibrahim Boubacar Keïta, e libertou dois reféns, antes da chegada da delegação a Bamako, que reclama o regresso da "ordem constitucional".

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A missão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) vai ser liderada pelo antigo Presidente nigeriano Goodluck Jonathan, acompanhado pelo presidente da CEDEAO, Jean-Claude Kassi Brou, e do ministro dos Negócios Estrangeiros do Niger, Kalla Ankourao.

"Receberemos com prazer este sábado a delegação da CEDEAO", confirmou um responsável da junta militar à agência de notícias AFP.

Este sinal de abertura por parte dos militares, que garantem querer organizar uma transição política breve, acontece numa altura em que a oposição apela a manifestações em Bamako para "festejar a vitória do povo maliano", três dias depois da saída do Presidente Keïta, no poder desde 2013.

Quinta-feira à noite, os golpistas permitiram que uma equipa da ONU visitasse os políticos reféns, entre eles o Presidente derrubado e o primeiro-ministro Boubou Cissé.

"Ontem à noite uma equipa dos #DroitsdelHomme da Minusma esteve em #Kati no quadro do seu mandado de protecção dos direitos dos homens e pode avistar-se com o Presidente Ibrahim Boubacar Keïta, bem como com outros reféns", indicou no Twitter a missão da ONU.

17 reféns

O Presidente derrubado, Ibrahim Boubacar Keita anunciou a demissão na madrugada de quarta-feira, horas depois de ter sido afastado do poder num golpe liderado por militares, passados meses de protestos e agitação social no país. O mandato de Ibrahim Boubacar Keïta prolongava-se até 2023.

acção dos militares já foi condenada pela Organização das Nações Unidas, União Africana, CEDEAO e União Europeia. Também a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) condenou o golpe de Estado. O organismo regional presidido pelo chefe de Estado moçambicano fala em "retrocesso" para África. 

Presidente da SADC, Filipe Nyusi

IBK e o seu primeiro-ministro Boubou Cissé, foram levados para o campo militar de Kati, nos subúrbios de Bamako.

"Demos a autorização à missão dos direitos humanos da ONU no Mali para visitar os 19 reféns que se encontram em Kati, nomeadamente ao ex-Presidente Ibrahim Boubacar Keïta e antigo primeiro-ministro Boubou Cissé", declarou à AFP um responsável da junta.

Entre estas personalidades reféns da junta militar encontram-se ainda o ministro da Defesa e o responsável pela parta da Segurança, o presidente da Assembleia Nacional e o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas.

"O antigo ministro das Finanças e o antigo ministro da Economias já se encontram em liberdade. Continuamos com 17 reféns em Kati. Esta é a prova de que respeitamos os direitos humanos", afirmou ainda o responsável da junta militar.

IBK "cansado mas sereno"

O Presidente derrubado e o seu primeiro-ministro continuam em Kati, mas foram transferidos para uma casa perto de Bamako, onde continuam privados de televisão, rádio e telefone, segundo informações veiculadas por pessoas que assistiram à visita.

"As condições de detenção são aceitáveis", o Presidente maliano "parecia estar cansado mas estava sereno", apontaram as mesmas fontes à AFP.

Os outros reféns encontram-se num centro de formação em Kati, onde "dormem em colchões e partilham uma televisão", avançam as testemunhas ouvidas pela agência de notícias francesa.

Reabertura das fronteiras terrestres e aéreas

As fronteiras terrestres e aéreas do Mali, encerradas desde o golpe militar de terça-feira, 18 de Agosto, foram reabertas esta sexta-feira, anunciou a junta militar que assumiu a liderança do país, através de um breve comunicado.

A junta militar responsável pelo derrube do Presidente do Mali vai escolher "um presidente de transição", será "um militar ou um civil", afirmou o porta-voz em entrevista à televisão France24.

A junta militar, incluindo o vice-presidente Malick Diaw, e o porta-voz  Ismaël Wagué, deram início a uma série de reuniões com as forças do Mali.

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