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Mali/Golpe de Estado Militar

Mali: Junta Militar aceita libertar IBK e quer ficar três anos no poder

Coronel Assimi Goita, presidente do Comité Nacional para a Salvação do Povo - CNSP - poderá vir a ser o Presidente de transição no Mali durante os próximos três anos.
Coronel Assimi Goita, presidente do Comité Nacional para a Salvação do Povo - CNSP - poderá vir a ser o Presidente de transição no Mali durante os próximos três anos. © AFP
5 min

No Mali, após o golpe de Estado militar de 18 de Agosto, unanimemente condenado pela comunidade internacional e depois de terem dito que a transição seria liderada por um "militar ou um civil, num prazo razoável", a junta militar liderada pelo coronel Assimi Goita, aceita libertar o ex Presidente Ibrahim Boubakar Keita, mas exige ficar três anos no poder, para organizar a transição e eleições livres, CEDEAO quer prazo mais curto.

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A delegação da CEDEAO liderada pelo ex Presidente nigeriano Goodluck Jonathan, que está em Bamako desde 22 de Agosto, deve terminar esta segunda-feira (24/08) a sua missão a Bamako e afirma terem sido feitos avanços e obtidos compromissos sobre alguns pontos com o Conselho Nacional de Salvação do Povo, mas algumas questões estariam ainda pendentes. 

A questão do restabelecimento da ordem constitucional e da reposição no poder do Presidente Ibrahim Boubakar Keita, forçado a demitir-se - inicialmente exigidas pela CEDEAO - estão definitivamente afastadas.

A junta militar, que protagonizou o golpe de Estado a 18 de Agosto, anunciou este domingo, 23 de Agosto, que permanecerá no poder durante três anos para "rever as fundações do Mali" e concordou em libertar o Presidente Ibrahim Boubakar Keita, detido desde 18 de Agosto, no quartel de Kati, a 15 kms de Bamako, tal como o primeiro-ministro Boubou Cissé.

O processo de transição de três anos será liderado por um orgão, presidido por um militar, que ocupará as funções de chefe de Estado, afirmou à agência francesa de notícias AFP, uma fonte da CEDEAO, confirmada pela junta militar, que avançou que haveria "três anos de transição com um Presidente militar e um governo composto principalmente de militares".

Mas segundo o porta-voz dos militares, coronel Ismael Wagué nada está ainda decidido e haverá um consulta massiva dos malianos quanto à duração da transição, seu Presidente e constituição do governo.

De acordo com a mesma fonte da CEDEAO, a junta concordou em "libertar o Presidente Ibrahim Boubakar Keita, que poderá regressar à sua casa" em Bamako e "se ele quiser viajar para tratamento, não há problema".

Quanto ao primeiro-ministro Boubou Cissé - também detido a 18 de Agosto e mantido no campo militar de Kati, a junta acedeu ao pedido da CEDEAO e "aceita que ele seja transferido para uma residência segura em Bamako", acrescentou esta fonte da organização sub-regional.

Jonathan Goodluck advertiu no entanto o CNSP de que "uma solução desse tipo não funcionou na Nigéria, aconselhou  a uma transição mais curtae afirmou ainda que a "preocupação principal é encontrar uma solução que satisfaça todos os malianos".

A Comunidade dos Estados da África Ocidental - CEDEAO - convocou os chefes de Estado da organização para uma video-conferência esta quarta-feira, 26 de Agosto, para analisar a situação no Mali com duas opções na agenda : aligeirar as sanções impostas na sequência do golpe de Estado de 18 de Agosto, ou endurecê-las, caso os chefes de Estado considerem que a junta militar não dá garantias de boa vontade, na sequência dos resultados obtidos pela delegação que se deslocou a Bamako.

Entretanto, quatro militares malianos foram mortos por um engenho explosivo, no sábado, 22 de Agosto e um outro gravemento ferido, no centro do país, desconhecendo-se até ao momento mais informações.

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