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Nigéria/sociedade

Confrontos violentos em Lagos e morte de várias pessoas por forças de segurança

Manifestantes com cartazes protestam contra a  existência do SARS e da violência policial em Lagos, capital económica  da Nigeria, no passado  dia  14 de Outubro.
Manifestantes com cartazes protestam contra a existência do SARS e da violência policial em Lagos, capital económica da Nigeria, no passado dia 14 de Outubro. REUTERS/Temilade Adelaja
Texto por: RFI
5 min

As Nações Unidas e a União Europeia condenaram hoje a brutalidade policial na Nigéria e exigiram a responsabilização dos autores da repressão de terça-feira, que causou vários feridos e mortos em Lagos. Reacções  violentas  esporádicas prosseguiram na  quarta-feira em Lagos,  através do incêndio de prédios e de confrontos esporádicos entre manifestantes e forças policiais.  

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Testemunhas  afirmaram  que  homens  armados  dispararam  na  terça-feira  à  noite  contra uma multidão  de  cerca  de mil pessoas em Lagos,  para  obrigá-la  a  dispersar,  depois do recolher obrigatório decretado para pôr fim a vaga de protestos contra a brutalidade policial,  assim como os profundos males sociais que afectam a  população.

 

O  tiroteio  ocorrido na  capital  económica nigeriana  desencadeou  uma  condenação  por parte  da  comunidade internacional,  enquanto o Presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, lançou um  apelo à calma, sem fazer uma alusão directa aos incidentes  de  terça-feira.

O  governador do Estado de Lagos, Babajide Sanwo-Olu,  tinha inicialmente rejeitado a  existência  de  vítimas  fatais, mas depois  anunciou  que  as autoridades estavam a investigar sobre a morte de uma pessoa, provocada, segundo  ele, por  um traumatismo craniano.

Sanwo-Olu, acrescentou  que  25 pessoas  tinham  sido feridas  e que um inquérito será efectuado sobre a actuação dos militares e  da  polícia , no decurso dos violentos confrontos.

O  exército nigeriano que recusou o pedido da agência France Presse para  comentar os confrontos  de  terça-feira, desmentiu o envolvimento de militares no tiroteio, que marcou os incidentes.

Na quarta-feira, o centro de Lagos, cidade  de 20 milhões de habitantes, estava deserto e as lojas fechadas, como consequência do recolher obrigatório.

Segundo  jornalistas  da AFP, no centro de Lagos alguns prédios estavam em chamas e militares patrulhavam as ruas.   

De acordo  também com Babajide Sanwo-Olu, os  confrontos em Lagos, representam a noite mais difícil  vivida pelo seu Estado, se considerarmos, na sua opinião, que as  forças de segurança sob o seu controlo escreveram com notas sombrias uma página da sua história". 

Segundo a  organização não-governamental, Amnistia Internacional, pelos menos doze pessoas foram mortas  pelos militares e as forças policiais, que dispararam na noite de terça-feira contra os manifestantes em Lagos. 

Na origem dos protestos contra a  brutalidade policial em Lagos, está a brigada  FSARS ( Federal Special Anti-Robbery Squad) fundado  em 1992  por Simeon  Danladi Midenda, para lutar contra os roubos e a criminalidade  associada  aos mesmos.

 De acordo com os seus detratores o  esquadrão conhecido  em Lagos pelo vulgo, SARS, à  medida que  os  anos passavam tornou-se uma força de opressão dos habitantes do Estado, devido à sua brutalidade  e métodos  de  extorsão.

O FSARS foi  dissolvido  em 2017 pelas autoridades nigerianas, mas segundo os manifestantes de Lagos, a  brutalidade  e a agressividade policiais idênticas às praticadas pelo esquadrão permaneceram.

Confrontos na Nigéria

  

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