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Tanzânia: Eleições Gerais

Tanzânia: contestada reeleição do Presidente Magufuly e seu partido

Presidente cessante da Tanzânia John Magufuli (esq) e o seu adversário Tundu Lissu.
Presidente cessante da Tanzânia John Magufuli (esq) e o seu adversário Tundu Lissu. AFP/Ericky Boniphace
6 min

Na Tanzânia ainda não foram divulgados os resultados definitivos das eleições gerais de 27 e 28 de outubro, mas tudo indica que o Presidente John Magufuli designado "bulldozer" e o seu partido CCM obtiveram uma vitória esmagadora, rejeitada pela oposição, que denuncia fraudes massivas e intimidações, como a prisão de vários líderes que contestaram estes resultados provisórios.

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Prossegue nesta sexta-feira, 30 de outubro, a contagem dos votos, mas os resultados provisórios das eleições presidenciais, legislativas e locais na Tanzânia de 27 e 28 de outubro, começaram a ser conhecidos ontem, atribuindo a vitória esmagadora ao Presidente John Magufuli, de 61 anos e candidato a um segundo mandato de cinco anos e maioria absoluta ao seu partido no poder desde a independência do país em 1962 - CCM Chama cha Mapinduzi o que significa em swahili Partido da Revolução.

219 das 264 circunscrições eleitorais do país, já apuradas, atribuem 85% de votos ao campo de John Magufuli e 194 assentos no parlamento, e apenas 14% e 2 assentos ao principal partido da oposição ACT-Wazalendo, do qual vários líderes foram detidos, após terem manifestado para rejeitar os resultados provisórios e denunciar fraudes e intimidações.

O principal opositor de John Magufuly na corrida à presidência da Tanzânia é Tundi Lissu, de 52 anos, apoiado pelo ACT-Wazalendo - Partido para a Democracia e o Progresso, que regressou ao país em julho após três anos de exílio, depois de ter sido alvo de um atentado e alvejado por 16 balas.

O ACT não reconhece os resultados provisórios, do que descreveu como uma "fraude sem precendentes na história da Tanzânia", denunciou uma "mascarada, com enchimento de urnas e boletins de voto pré-preenchidos, bem como a proibição de acesso às mesas de voto de milhares de observadores do seu partido", o seu avogado Robert Amsterdam apresentou queixa junto da União Africana e da Commonwealth.

No arquipélago semi-autónomo de Zanzibar, o candidato do partido no poder, Hussein Mwinyi obteve 76% de votos, tornando-se no oitavo Presidente de Zanzibar desde 1964.

Entretanto em Zanzibar foram detidos esta quinta-feira, 29 de outubro, o presidente do partido ACT-Wazalendo e candidato à presidência do arquipélago, Maalim Seif Sharif Hamad, que acusou a polícia de ter morto dez pessoas, bem como o vice-presidente e vários membros do comité central deste partido, tendo alguns deles sido espancados pela polícia, depois de manifestarem pacificamente contra a fraude eleitoral.

A oposição teme ainda que se o partido MCC de John Magufuli obtiver mais de dois terços de deputados, pretenda mudar a constituição, para se recandidatar a um terceiro mandato em 2025.

Tanzânia: oposição rejeita resultados das eleições gerais

A embaixada dos Estados Unidos em Dar es Salam, também emitiu dúvidas quanto à credibilidade dos resultados do escrutínio de 27 e 28 de outubro e pediu às autoridades que dialoguem com a oposição e permitam que os tanzanianos manifestem pacificamente.

A ong internacional Tanzania Election Watch, constituida por várias personalidades africanas, refere acontecimentos que "mancharam a credibilidade do voto" e apela a uma recontagem justa e transparente dos boletins de voto e pediu à comissão eleitoral que investigue as queixas apresentadas pela oposição, mas o presidente da CEN Frederik Ssempebwa recordou que "infelizmente, os números publicados pela comissão eleitoral não são susceptíveis de recurso".

A centena de assentos parlamentares reservada às mulheres, que cada partido designa proporcionalmente aos resultados obtidos, bem como os cinco deputados escolhidos para o representar no parlamento do arquipélago semi-autónomo de Zanzibar, ou ainda os dez deputados no máximo nomeados pelo Chefe de Estado, não mudarão a correlação de forças, que desde já atribui maoria absoluta ao partido CCM do Presidente cessante.

O FMI prevê que a Tanzânia escapará à recessão em 2020, apesar da pandemia da Covid-19 e terá uma taxa de crescimento económico de 1,9%.

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