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República Centro-Africana

Eleições gerais na RCA em clima de tensão

Contagem dos votos em Bangui, neste dia 27 de Dezembro de 2020.
Contagem dos votos em Bangui, neste dia 27 de Dezembro de 2020. © RFI / Gaël Grilhot
Texto por: RFI
4 min

Este Domingo, cerca de 1,8 milhões de eleitores foram chamados às urnas para eleger 140 deputados e um novo Presidente em clima de tensão neste país em guerra civil há 8 anos, com os grupos rebeldes que controlam uma parte do país a conduzir uma ofensiva contra as tropas governamentais há 9 dias. Apesar de a situação se ter mantido tranquila em Bangui, violências esporádicas perturbaram o processo eleitoral no resto do país, observadores receando que muitos eleitores não tenham tido a possibilidade de ir votar por falta de segurança.

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"Globalmente, a votação decorreu e os eleitores compareceram. Houve um impulso apesar de pequenos problemas de segurança em alguns pontos", indicou no final do dia a Autoridade Eleitoral Nacional (ANE) que, ao admitir que algumas assembleias de voto abriram em ordem dispersa devido nomeadamente a problemas logísticos, especialmente em Bangui, sublinhou que foram respeitadas as 10 horas de abertura previstas para cada assembleia de voto.

Os grupos rebeldes que se apoderaram de uma parte significativa do país apelaram ao boicote das eleições e de há dias a esta parte prometeram "marchar sobre Bangui" para impedir a votação. Todavia, eles acabaram para já por ser mantidos à distância da capital onde se encontra destacado um pesado dispositivo de segurança composto por centenas de paramilitares russos, soldados ruandeses bem como as forças de manutenção da paz da Missão da ONU (Minusca).

Fora de Bangui a situação foi diferente, havendo relatos de incidentes em alguns pontos do país que fizeram com que milhares de pessoas não pudessem ir votar, havendo inclusivamente casos em que os cartões de eleitor nem chegaram ao destino por falta de segurança.

Em certas localidades do noroeste, a mais de 500 quilómetros de Bangui, rebeldes confiscaram materiais eleitorais em Koui, ou ameaçaram matar agentes eleitorais na localidade de Ngaoundaye ou quem quer que fosse votar em Bocaranga ou noutras cidades, indicaram funcionários locais, havendo inclusivamente casos em que as mesas de voto nem sequer puderam abrir.

Noutro aspecto, em Bossembélé, cidade com 50 mil habitantes a 150 quilómetros da capital, um dos epicentros da rebelião, uma alta funcionária local indicou que 11 mil pessoas não chegaram a receber os seus respectivos cartões de eleitor.

No norte do país, em Ndélé, Mbrès ou Bamingui, fontes oficiais deram conta de actos violência durante o transporte do material eleitoral. Noutras localidades, como Bambari no leste do país, ou em Kaga Bandoro, no norte, as populações foram intimidadas.

Nestas eleições, a oposição avançou com 15 candidatos para enfrentar o presidente cessante Faustin Archange Touadéra que, segundo especialistas e diplomatas, tem boas possibilidades de conquistar um segundo mandato, tanto mais que o seu rival mais directo, o antigo presidente François Bozizé, viu a sua candidatura ser invalidada no início deste mês.

François Bozizé que tem sido acusado pela ONU de estar do lado da rebelião e que até agora não tinha esclarecido a sua posição, tomou hoje abertamente partido pelos rebeldes e apelou ao boicote das eleições, retirando desta feita o seu apoio inicial ao ex-primeiro-ministro Anicet Georges Dologuélé, um dos candidatos às presidenciais.

Refira-se que os primeiros resultados parciais destas eleições são esperados a partir do dia 4 de Janeiro, antevendo-se que os resultados definitivos sejam publicados no dia 19 de Janeiro de 2021.

 

 

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