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RCA: Presidente Touadéra reeleito com 53,16%

Presidente centro-africano Faustin-Archange Touadéra reeleito com 53,16% de votos.
Presidente centro-africano Faustin-Archange Touadéra reeleito com 53,16% de votos. RFI/Romain Ferré
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Na República Centro Africana, o Tribunal Constitucional validou esta segunda-feira, 18 de janeiro, a vitória na primeira volta do presidente cessante Faustin-Archange Touadéra com 53,16% de votos, contra 21,69% para o seu principal adversário, o antigo primeiro-ministro Anicet Georges Dologuéle, a oposição continua a denunciar faude massiva.

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A presidente do Tribunal Constitucional, Danièle Darlan, proclamou nesta segunda-feira, 18 de janeiro, a vitória à primeira volta do Presidente cessante Faustin-Archange Touadéra de 63 anos com 53,16% de votos, mas admitiu que a participação no escrutínio de 27 de dezembro foi de apenas 35,25%, ou seja dois em cada três dos 76,31% de eleitores inscritos não votaram.

O anúncio foi acolhido com aplausos por apoiantes do Presidente cessante, mas as ruas de Bangui permaneciam esta manhã quase desertas, pois os habitantes temem novas incursões dos rebeldes. 

Estes resultados, apesar de contestado, surgem após quatro recursos para a anulação do escrutínio apresentados por 13 dos 16 rivais de Touadéra, alegando fraude massiva e a impossibilidade de votar de cerca de metade dos eleitores inscritos, devido à insegurança reinante no país.

A presidente do TC afirmou ainda que "uma parte do povo centro-africano, em guerra, foi impedido [de votar] devido a actos de terror...e apesar disso, o povo enviou uma mensagem muito clara e forte aos que o aterrorizavam, aos que lhe diziam de não votar e ao mundo inteiro".

De recordar que esta eleição decorreu num contexto de insegurança, pois a 17 de janeiro, 10 dias antes da eleição, seis dos mais poderosos grupos armados da RCA, que controlam dois terços do território - e que na sua maioria apoiam o antigo Presidente François Bozizé, cuja candidatura foi invalidada - aliaram-se na Coligação dos Patriotas para a Mudança e a 19 de janeiro, lançaram uma nova ofensiva em direcção à capital Bangui, para impedir a reeleção do Presidente Touadéra e a realização do escrutínio.

Apesar da superioridade das tropas centro-africanas, quer em homens, quer em equipamento e do apoio de cerca de 12.000 capacetes azuis da Minusca, a força da ONU de manutenção da paz e de paramilitares russos, na semana passada cerca de 200 rebeldes efectuaram duas incursões simultâneas às portas de Bangui, que foram repelidas, mas os combates provocaram cerca de 30 mortos rebeldes e a de um capacete azul ruandês, segundo o governo e a ONU. 

RCA, Presidente Touadéra reeleito

A principal coligação de partidos da oposição - COD 2020 - acusou neste domingo, 17 de janeiro, o representante da ONU no país, Mankeur Ndiaye, de ter apoiado o campo do Presidente cessante e reclama um inquérito da ONU à sua actuação, afirmando - embora sem apresentar provas - que o Tribunal Constitucional "foi alvo de pressões para proclamar a vitória de Touédara" por parte do enviado especial de António Guterres, o que o acusado e o TC negam determinantemente.

Desde dezembro de 2020, cerca de 60.000 cidadãos fugiram da violência, que assola a RCA, segundo dados de 15 janeiro do Alto Comissariado da ONU para os refugiados.

Só no dia 13 de janeiro, 10.000 pessoas atravessaram o rio Oubangui, para se refugiarem na RDC. 

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