África do Sul

África do Sul suspende a sua campanha de vacinação contra a covid-19

De acordo com um estudo conduzido pela Universidade de Witwatersrand em Joanesburgo, a vacina desenvolvida pela AstraZeneca é apenas 22% eficaz contra as formas moderadas da variante sul-africana da covid-19
De acordo com um estudo conduzido pela Universidade de Witwatersrand em Joanesburgo, a vacina desenvolvida pela AstraZeneca é apenas 22% eficaz contra as formas moderadas da variante sul-africana da covid-19 ALAIN JOCARD AFP
Texto por: Liliana Henriques
6 min

A África do Sul anunciou neste domingo a suspensão provisória da sua campanha de vacinação contra a covid-19 que devia arrancar nos próximos dias, após a chegada na semana passada de um milhão de doses de vacinas da AstraZeneca. Esta suspensão acontece depois de um estudo dar conta de uma eficácia "limitada" desta vacina contra a estirpe sul-africana da covid-19.

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De acordo com este estudo envolvendo 2 mil voluntários com idade média de 31 anos, conduzido pela Universidade de Witwatersrand em Joanesburgo, mas que ainda não foi publicado em nenhuma revista científica, a vacina desenvolvida pela AstraZeneca é apenas 22% eficaz contra as formas moderadas da variante sul-africana. Ainda não há resultados disponíveis sobre sua eficácia contra as formas graves dessa estirpe.

“Acreditamos que a nossa vacina ainda protegerá contra as formas graves da doença”, assegurou por sua vez a AstraZeneca argumentando que “a actividade dos anticorpos neutralizantes é semelhante à de outras vacinas contra a covid-19 que se mostraram eficazes contra as formas graves, em particular quando as doses são espaçadas de 8 a 12 semanas". A empresa farmacêutica garantiu ainda que “uma versão (da sua vacina) com a sequência da variante sul-africana está em preparação”.

A África do Sul recebeu uma primeira remessa de um milhão de doses da vacina da AstraZeneca há uma semana, sendo que são esperadas ainda durante este mês 500 mil outras doses deste fármaco cuja data limite de validade chega ao mês de Abril.

Apesar de ser pressionado pelo tempo, o ministro da Saúde da África do Sul disse que vai esperar que os cientistas dêem indicações claras sobre o uso da vacina britânica, Zweli Mkhize tornando a garantir que vai ser dada continuidade ao programa de vacinação no país, com a perspectiva da chegada “nas próximas quatro semanas” das vacinas da Johnson & Johnson e da Pfizer.

O país que é o mais afectado a nível do continente, com quase 1,5 milhão de casos e mais de 46 mil mortes, encontra-se igualmente em negociações com outros laboratórios como o Moderna e o fabricante russo de vacinas Sputnik V, no intuito de conseguir vacinar pelo menos 67% da população sul-africana, ou seja cerca de 40 milhões de pessoas até ao final do ano.

Apesar de utilizar uma tecnologia mais tradicional e ser mais barata e fácil de armazenar, a vacina da AstraZeneca tem apresentado uma taxa de eficácia de cerca de 70% quando as suas congéneres, mais complexas da Pfizer ou da Moderna têm uma taxa de eficácia de mais de 90%.

Para além das dúvidas que surgiram sobre a sua eficácia sobre a estirpe sul-africana da covid-19, também têm sido questionados os seus efeitos sobre pessoas com mais de 65 anos, uma vez que faltam dados sobre a sua acção nesta faixa etária.

Perante esta situação, alguns países europeus que já receberam as suas respectivas doses, como por exemplo a Espanha, decidiram utilizar esta vacina apenas em menores de 55 anos. Outros países como a França, a Alemanha ou hoje Portugal indicaram que só iriam utilizar esta vacina em menores de 65 anos.

É neste contexto que o Comité de Estratégia de Especialistas em Imunização da OMS se reúne nesta segunda-feira para fazer primeiras recomendações sobre a utilização da vacina da AstraZeneca. Uma “especial atenção deve ser dada à discussão sobre o uso da vacina em idosos”, indicou a OMS.

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