Conflitos

Chade entre conflitos político-militares e crise humanitária

Soldados a desfilar no funeral do presidente Idriss Déby Itno, em Ndjamena, no dia 23 abril de 2021.
Soldados a desfilar no funeral do presidente Idriss Déby Itno, em Ndjamena, no dia 23 abril de 2021. AFP - ISSOUF SANOGO

O Chade está hoje em discussão na Cimeira da Comunidade Económica dos Estados da África Central, em Brazzaville, devido à situação político-militar no país depois de Mahamat Idriss Déby ter sucedido ao seu pai, enquanto um terço da população do país precisa de ajuda humanitária urgente.

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O alerta sobre as necessidade da população chadiana partiu das Nações Unidas, considerando que o país faz face a três crises humanitárias ao mesmo tempo: fome, falta de acesso regular a serviços de saúde e refugiados.

Há atualmente no Estado, segundo as Nações Unidas, 4,6 milhões de pessoas ameaçadas pela fome, na sua maior parte crianças com menos de quatro anos, 1,7 milhões de pessoas não têm acesso a serviços de saúde e cerca de 1 milhão de refugiados vindos de países como o Sudão, República Centro Africana e Nigéria, assim como deslocados internos.

O Chade e as Nações Unidas lançaram hoje um Plano de Resposta Humanitária para 2021 com um orçamento de 617,5 milhões de dólares, mais 13% do que em 2020, no entanto apenas 50 milhões de euros foram doados pela comunidade internacional.

"Precisamos de mais fundos", disse o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários em comunicado, especialmente para intervenções rápidas no terreno.

Este pedido chega numa altura em que o país está confrontado com instabilidade política e militar, com Mahamat Idriss Déby a ter assumido a liderança do país após a morte do pai, Idriss Déby Itno, a 20 de Abril. 

Mahamat Idriss Déby dirige o Conselho Militar de Transição no Chade. Foi este órgão que o proclamou como Presidente, tendo dissolvido a Assembleia e o governo, assim como revogou a Constituição. O novo Presidente deverá governar durante 18 meses, estando depois prometidas eleições livres.

No início da semana, soldados do Chade e da República Centro-Africana envolveram-se em conflitos na fronteira, com seis soldados chadianos a morrerem devido a uma troca de tiros. As duas partes concordaram com uma averiguação internacional liderada pelas Nações Unidas e pela União Africana.

O encontro da Cimeira da Comunidade Económica dos Estados da África Central em Brazzaville foi preparado por Mahamat Idriss Déby que no início da semana esteve em Luanda, com João Lourenço. No final desse encontro, o ministro das Relações Exteriores de Angola, Téte António, garantiu que Angola vai apoiar a estabilidade no Chade, salientado que o Chade é uma “barreira” para a região da África Central. 

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