Argélia

Frente de Libertação Nacional mantém-se no poder na Argélia com abstenção recorde

Quase 70% dos argelinos não votaram nas eleições legislativas que aconteceram no dia 12 de Junho, um recorde neste tipo de escrutínio no país.
Quase 70% dos argelinos não votaram nas eleições legislativas que aconteceram no dia 12 de Junho, um recorde neste tipo de escrutínio no país. (Photo : AFP)

O partido Frente de Libertação Nacional (FLN) ganhou as eleições legislativas antecipadas na Argélia, mantendo-se assim no poder, apesar de dúvidas sobre a sua popularidade, já que quase 80% dos argelinos não foram às urnas.

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Mesmo se o partido no poder ganhou as eleições, não deixa de ser um recuo já que com cerca de 105 lugares em 407, esta eleição representa uma perda de mais de 50 deputados, controlando agora apenas um quarto do Parlamento argelino.

Em segundo lugar ficaram os candidatos independentes, elegendo 78 personalidades.

A principal formação islâmica do país, Movimento da Sociedade pela Paz (MSP) ficou na terceira posição com 64 deputados e o aliado tradicional do FLM, o Encontro Nacional Democrático (RND), conseguiu 57 lugares.

De forma a formar governo, o partido Frente de Libertação Nacional terá de procurar uma aliança com o RND, mas possivelmente também com alguns dos independentes recentemente eleitos.

Estes foram, até agora, os dados divulgados pela Autoridade Independente das Eleições na Argélia.

Abstenção

Nem o grande número de candidatos independentes motivou os argelinos a votarem. Com uma taxa de participação de 23,05% esta é a eleição menos participada de sempre no país.

"A taxa de participação é extremamente baixa. É um número que mostra a que ponto esta eleição, tal como as que a precederam, nõa é uma solução para a crise", disse Louisa Dris Aït Hamadouche, professora de Ciência Política na Universidade de Alger, em declarações à agência AFP.

Estas foram as primeiras eleições legislativas após o movimento Hirak que em 2019 levou a várias manifestações contra a quinta candidatura de Abdelaziz Bouteflika, levando à eleição do Presidente Abdelmadjid Tebboune, onde os argelinos pediram várias reformas a nível democrático e administrativo.

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