Etiópia

Legislativas na Etiópia com valor de teste para o Primeiro-Ministro

O chefe do governo da Etiópia, Abiy Ahmed, votou em Beshasha, cidade da região de Oromia, no oeste do país, nas eleições de 21 de Junho de 2021.
O chefe do governo da Etiópia, Abiy Ahmed, votou em Beshasha, cidade da região de Oromia, no oeste do país, nas eleições de 21 de Junho de 2021. © Reuters

Mais de 38 milhões de eleitores são chamados às urnas hoje no âmbito de legislativas e regionais que constituem um teste para o Primeiro-Ministro Abiy Ahmed, numa altura em que continua a operação militar lançada em Novembro na região separatista do Tigray, havendo relatos de atrocidades e fome naquela zona situada na fronteira com a eritreia, no norte da Etiópia.

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As mesas de voto abriram às 6 horas da manhã e permanecem abertas até às 18 horas locais, nestas eleições que já foram adiadas por duas vezes, devido à pandemia e problemas de segurança. Na corrida estão 40 partidos e 9.500 candidatos a assentos locais e federais, sendo que são os deputados eleitos neste escrutínio que em seguida escolhem o Primeiro-Ministro.

Estas que são também as primeiras eleições organizadas durante o mandato de Abyi Ahmed, 44 anos, eleito em 2018 com a promessa de renovação democrática da Etiópia, constituem um teste para o Primeiro-Ministro que, após ser galardoado com o Prémio Nobel da Paz em 2019 ao libertar milhares de presos políticos e encorajar o regresso de exilados da oposição ao seu país, vê a sua imagem ser algo manchada pelo conflito vigente no Tigray no norte do país desde o passado mês de Novembro.

Para além de algumas circunscrições mais problemáticas onde os eleitores só poderão a priori votar no dia 6 de Setembro, nenhuma operação de voto está prevista no imediato nas 38 circunscrições do Tigray, zona onde o governo tenta estancar veleidades separatistas do executivo local há 7 meses no âmbito de uma operação militar cuja brutalidade tem sido denunciada designadamente pela Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, que ainda hoje se declarou "profundamente perturbada pelas graves violações" dos direitos do Homem naquela zona cuja situação humanitária qualificou de "terrível", com mais de 350 mil pessoas a precisarem de ajuda.

Além deste balanço, o actual chefe do governo da Etiópia tem sido igualmente responsabilizado pela exclusão de uma parte dos eleitores e a detenção de responsáveis da oposição, o que aliás levou os dois principais partidos da oposição da populosa região de Oromia a boicotar as eleições mas também fez com que os Estados Unidos questionassem a credibilidade deste processo cujos resultados devem ser conhecidos nos próximos dias.

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