Somália

Primeiro ataque militar da era Biden contra os shebabs na Somália

Um brigadeiro americano conversa com os seus soldados durante uma operação na Somália, no dia 5 de Setembro de 2020.
Um brigadeiro americano conversa com os seus soldados durante uma operação na Somália, no dia 5 de Setembro de 2020. AP - Senior Airman Kristin Savage

O exército americano levou a cabo nesta terça-feira um ataque aéreo contra jihadistas shebab, ligados à rede extremista islâmica Al Qaeda. Tratou-se do primeiro ataque desde que Joe Biden assumiu funções como Presidente dos Estados Unidos.

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O ataque teve lugar perto de Galkayo, a 700 kms a nordeste da capital, segundo um relato do Pentágono referindo que o resultado desta operação está ainda a ser avaliado, com os combates a continuar no terreno entre os Shebabs e as forças do governo. “As conclusões iniciais do comando são de que nenhum civil foi ferido ou morto durante este ataque”, acrescentou ainda o Pentágono.

Trata-se do primeiro bombardeamento aéreo realizado pelas tropas americanas na Somália desde 19 de Janeiro, altura em que o comando do Africom anunciou ter morto três jihadistas em dois ataques distintos em Jamaame, no sul do país, e em Deb Scinnele, a norte de Mogadíscio.

Desde essa altura, Joe Biden que chegou à Casa Branca no dia 20 de Janeiro, ou seja um dia depois desta última operação, tinha decidido limitar o uso de drones contra grupos jihadistas nos teatros de guerra onde os Estados Unidos não estejam oficialmente envolvidos, voltando atras numa linha definida pelo seu antecessor relativamente a países como a Somália e a Líbia.

Indício de que a Casa Branca está a apertar o controlo sobre as operações militares americanas no mundo, no passado mês de Março, o Pentágono indicou que qualquer plano de ataque contra grupos jihadistas fora do Afeganistão, Síria ou Iraque deveria daqui por diante ser submetido à apreciação da Casa Branca antes de ser executado.

Uma decisão que contrasta com a estratégia definida pelo antigo Presidente Donald Trump que logo no início do seu mandato, em 2016, tinha decidido delegar o controlo deste tipo de operações, alegando "confiar nos seus generais". De acordo com a organização especializada em conflitos Airwars, a partir dessa altura os ataques com drones passaram de 11 na Somália em 2011, para 64 em 2019 e 54 em 2020.

De referir que a operação militar americana efectuada ontem aconteceu numa altura em que a Somália está a entrar em processo pré-eleitoral. No próximo dia 25 de Julho, devem ser eleitos os membros do senado. Nas próximas semanas, devem decorrer os preparativos das eleições para o parlamento por volta do mês de Setembro, sendo que as presidenciais devem em princípio realizar-se no próximo dia 10 Outubro.

Um processo de eleições directas e universais que o país não conheceu desde 1969, época em que o ditador Siad Barré tomou o poder pela força. Um processo frágil colocado ontem em causa pelos Shebabs que em mensagem na internet fizeram ameaças aos políticos que participarem nas eleições.

“Não se deixem enganar por promessas vazias, inclusive monetárias, ou sigilo de voto”, diz a mensagem antes de acrescentar “aprendam com quem veio antes de vós” numa possível alusão aos líderes tradicionais que participaram nas últimas eleições de 2016, e que em alguns casos acabaram por ser assassinados pelos shebabs.

O governo de Mogadíscio controla uma ínfima parte do território nacional, com o apoio dos cerca de 20.000 homens da força da União Africana (UA), a Amisom, que expulsou os jihadistas da capital em 2011.

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