Zâmbia

Zâmbia: presidenciais tensas num país economicamente fragilizado

Eleitores fazem fila para votar nas eleições presidenciais de 12 de Agosto de 2021 em Lusaka, na Zâmbia.
Eleitores fazem fila para votar nas eleições presidenciais de 12 de Agosto de 2021 em Lusaka, na Zâmbia. © AFP / Patrick Meinhardt

Cerca de 7 milhões de eleitores zambianos são hoje chamados às urnas nas eleições presidenciais, legislativas e autárquicas. Na corrida às presidenciais estão 16 candidatos, entre os quais se destacam o presidente cessante, Edgar Lungu, 64 anos, no poder desde 2015 e do outro lado do xadrez, o seu eterno rival, o empresário Hakainde Hichilema, 59 anos, que concorre pela sexta vez ao mais alto cargo político do seu país.

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Até às 18 horas locais, os eleitores deste país de 17 milhões de habitantes, votam para eleger os seus representantes locais, os seus deputados e um novo Presidente entre 16 candidatos, na sequência de uma campanha tensa, marcada por incidentes entre os apoiantes dos dois principais candidatos, o Presidente cessante Edgar Lungu e o seu mais sério adversário, Hakainde Hichilema, ao ponto que na semana passada foram destacados elementos do exército para impedir novos confrontos.

Durante a campanha marcada pelas restrições inerentes à luta contra a pandemia, a oposição acusou o campo presidencial de tentar colocar entraves à sua campanha o que o partido no poder desmentiu com veemência.

O facto é que o Presidente cessante, no poder desde 2015, tem sido frequentemente acusado de derivas autoritárias e de encobrir os desvios de fundos que grassam à sua volta. Lungu tem sido igualmente criticado por contrair empréstimos particularmente junto de credores chineses, para financiar uma série de projectos de desenvolvimento de infra-estruturas.

Neste contexto, apesar de ser rica em matérias-primas, a Zâmbia tornou-se na primeira economia africana a entrar em default no ano passado.

Com uma dívida externa estimada em 10 bilhões de Euros, metade da qual junto de credores privados, a Zâmbia que desde 1992 tem vindo a privatizar a maioria das empresas públicas, nomeadamente grandes companhias de exploração de cobre, sua principal riqueza, não conseguiu pagar 42,5 milhões de Dólares em juros em meados de Novembro de 2020, e no começo deste ano, a Zâmbia tornou a não ser capaz de pagar uma dívida de 56,1 milhões de Dólares.

Nestes últimos anos, a população zambiana sofreu as consequências da queda do valor das matérias-primas, do aumento do desemprego, do custo de vida e da inflação que disparou para mais de 20%.

Em 2019, até 70% das colheitas agrícolas foram perdidas devido à seca, a mais grave em 35 anos. Segundo estimativas da ONU em 2020, cerca de 2,3 milhões de zambianos estavam em insegurança alimentar.

No fecho de uma campanha centrada precisamente sobre a situação económica do país, o Presidente cessante mostrou-se convicto de que iria vencer porque "as pessoas o conhecem agora". Já o seu adversário fez um apelo para que a comissão eleitoral garanta um voto “livre e justo”.

Refira-se que os resultados preliminares das eleições são esperados até ao próximo Domingo à noite.

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