Golpe Militar

Novo regime da Guiné Conacri liberta dezenas de prisioneiros

O tenente-coronel Mamady Doumbouya na sua chegada ao Palácio do Povo, em Conakry.
O tenente-coronel Mamady Doumbouya na sua chegada ao Palácio do Povo, em Conakry. AFP - CELLOU BINANI

O novo regime de transição da Guiné Conacri, liderado pelo tenente-coronel Mamady Doumbouya, aprovou a libertação de cerca de 80 presos políticos, tendo já sido liberdados pelos menos duas dezenas. Muitos destes homens estavam presos por terem incitado a um levantamento armado contra o Presidente agora deposto, Alpha Condé.

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Os militares que organizaram o golpe de Estado contra o Presidente Alpha Condé, agora deposto, na Guiné Conacri, comprometem-se a libertar todos os presos políticos do anterior regime, tendo já elaborado uma lista com 79 nomes de pessoas a libertar.

Segundo um jornalista da AFP, cerca de 20 desses prisioneiros já teriam mesmo sido libertados, entre eles, alguns dos principais opositores do antigo regime, que tinham mesmo apelado ao uso da força para derrubar Alpha Condé. A libertação destas figuras estava a ser reclamada desde segunda-feira por coligações políticas e sociedade civil.

Os militares anunciaram na terça-feira que a transição será liderada por um futuro governo de "unidade nacional", escreveu no Twitter do Comité Nacional para a Unidade e Desenvolvimento o tenente-coronel Mamady Dumbuya, líder dos militares que tomaram o poder no país. Esta transição deve durar 18 meses até às próximas eleições.

Mamady Doumbouya, uma personalidade até então desconhecida, surgiu após o golpe como o novo homem forte da Guiné. Trata-se de um militar experiente que recebeu treino em Israel, Senegal, Libéria e França. Antigo membro da Legião Francesa, participou de várias missões no Afeganistão, Costa do Marfim, Jibuti e República Centro-Africana. Em 2018 foi destacado pelo Ministério da Defesa para criar um grupo de Forças Especiais no Exército Guineense, que lidera desde então.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) organiza esta tarde uma reunião de emergência, mostrando-se preocupada com as consequência deste golpe militar na Guiné Conacri. Esta organização já condenou a deposição do ex-Presidente.

França apelou à libertação de Alpha Condé. Também o secretário-geral da ONU, António Guterres, CEDEAO e UA condenaram o golpe militar e exigem a libertação "imediata" do Presidente guineense.

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