França / Mali

Paris rejeita firmemente as acusações de "abandono" proferidas pelo PM maliano

Ministra francesa da defesa, Florence Parly.
Ministra francesa da defesa, Florence Parly. Ludovic MARIN AFP/File

A França rejeitou ontem as declarações que qualificou de "inaceitáveis" e "indecentes" por parte do Primeiro-ministro maliano que na tribuna da ONU, no sábado passado, acusou a França de "abandonar o Mali em pleno voo", por ter anunciado em Junho a sua intenção de reorganizar e reduzir os seus efectivos militares no âmbito da 'Operação Barkhane'.

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A França reagiu ontem vigorosamente às acusações proferidas no sábado na Assembleia Geral da ONU pelo chefe do governo da junta militar maliana Choguel Koballa Maïga segundo o qual a França abandonou o Mali ao decidir reduzir -sem concertação- os seus efectivos na força Barkhane dos actuais 5 mil homens em posto para cerca de 2500 até 2023, e reorganizar a sua presença ao deixar as suas bases de Kidal, Tombuctu e Tessalit, no norte do Mali.

Em deslocação ontem na Mauritânia, o chefe da força Barkhane esclareceu que "o facto de retirar a presença simbólica dos franceses nesses 3 quartéis, não é um abandono, é uma substituição", o general Laurent Michon explicando ainda que permanecem as forças da ONU naquelas bases.

No mesmo sentido, a Ministra francesa da Defesa também expressou a sua indignação. "Quando temos 5 mil soldados e que retiramos alguns de 3 bases mas que temos a intenção de guardar vários milhares e que destacamos no Sahel os mais sofisticados blindados, isto não é a atitude de um país que tenciona partir", declarou Florence Parly ao acusar o chefe do governo do Mali de "hipocrisia, muita má-fé e muita indecência, sobretudo porque estas acusações foram proferidas no sábado 25 de Setembro, quando na sexta-feira 24 de Setembro, um 52° soldado francês deu a sua vida para combater o terrorismo no Sahel".

Na óptica da titular do pelouro da defesa, a junta que controla o Mali desde o ano passado está a tentar justificar a sua aproximação com a sociedade paramilitar russa Wagner, uma aproximação que a França considera incompatível com a sua presença no terreno. Florence Parly julga ainda que ao recorrer a esta sociedade, o Mali procura fugir aos seus compromissos internacionais relativamente à organização de legislativas no próximo dia 27 de Fevereiro.

Uma promessa que poderia não ser totalmente respeitada, uma vez que o chefe do governo maliano admitiu no passado fim-de-semana que estas eleições poderiam ser adiadas por algumas semanas ou meses.

Uma possibilidade contra a qual se insurgiu o chefe da diplomacia francesa ainda ontem, no último dia da Assembleia Geral da ONU, Jean Yves le Drian tendo avisado que "é imperativo respeitar o calendário".

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