Política /Mali

Mali : eleição marcada por assassínio de agente eleitoral e incidentes

Soumaïla Cissé, candidato da oposição, quando votava domingo em Niafounke.12 de Agosto de  2018
Soumaïla Cissé, candidato da oposição, quando votava domingo em Niafounke.12 de Agosto de 2018 STR / AFP
4 min

Os malianos foram neste domingo às urnas para eleger o seu novo presidente, num escrutínio dominado pelo favoritismo do chefe de Estado cessante Ibrahim Boubacar Keita, frente ao antigo ministro das finanças e líder do principal partido da oposição Soumaïla Cissé. Para assegurar a normalidade da eleição presidencial, 36 mil militares foram mobilizados nesta segunda volta. Um agente eleitoral foi, não obstante, assassinado.

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Com em pano de fundo a luta contra os jiadistas e um país práticamente dividido, devido à inexistência de administração central nalgumas regiões do norte, o Mali foi neste domingo às urnas para escolher o dirigente que presidirá aos seus destinos, nos próximos cinco anos.

Não se sabe se o favoritismo de Ibrahim Boubacar Keita teria contribuído por uma menor afluência às mesas de voto nesta segunda volta, contráriamente à primeira afectada por problemas de segurança.Na primeira volta o escrutínio não teve lugar em regiões do centro e do norte, por motivos de segurança, impedindo que cerca de 250.000 malianos votassem.

O chefe de Estado cessante e o seu rival Soumaïla Cissé deram livre curso a acusações mútuas sobre a gestão das mesas de voto. Cissé denunciou,segundo ele, uma fraude eleitoral e acusou Boubacar Keita de ser o responsável pelo clima de violência que prevalece no Mali.

Keita rejeitou as acusações e depois ter votado neste domingo, prometeu aos seus partidários que dias melhor virão para o Mali.

Não obstante a promessa de Boubacar Keita,nesta segunda volta, o presidente da mesa de voto Arkodia,no sudoeste de Tumbuctu foi assassinado por seis homens armados no sudoeste de Tumbuctu.

Ele tentou fugir dos presumíveis jiadistas, mas acabou por sucumbir às balas disparadas pelos agressores. Segundo a associação Centro de Observação Cidadã do Mali ( POCIM )que participa com 2000 observadores, os quatro assessores presentes foram molestados e a mesa de voto queimada.

De acordo com o Ministério da Defesa maliano,três agentes eleitorais foram igualmente raptados em Dianoulé à 11 quilómetros de Nampala no centro do país.

Incidentes ocorreram também em Nokara,na região de Mopti, logo no início da votação, onde três mesas de voto foram encerradas  sem qualquer explicação apesar da presença de militares.

Em Gandamia,das 13 mesas de voto,apenas uma conseguiu abrir. Em contrapartida em Ber as quatro mesas de voto foram abertas aos eleitores,contráriamente à primeira volta.

Na primeira volta a taxa de participação foi apenas de 43% dos 8,5 milhões de eleitores inscritos,ou seja menos seis pontos do que na eleição de 2013.

De acordo com os analistas em Bamako, o nível de afluência às urnas será decisivo para a credibilidade política da eleição e do futuro chefe de Estado, de quem os malianos esperam capacidade para restabelecer a normalidade no país.

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