Guiné-Bissau / Prevalência do HIV-Sida

Seis por cento da população da Guiné-Bissau está infetada com o vírus do HIV

AFP

A prevalência do HIV-Sida na Guiné-Bissau surpreendeu os membros do governo. A taxa de 5,8 por cento de contaminação da população está bem acima dos níveis regionais, que se situam à volta de 1 por cento. Perante o avanço da doença, as autoridades decidiram investir em campanhas de prevenção dirigidas aos jovens.

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102 mil infetados num país de 1,7 milhões de habitantes : os números preocupam o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, que prometeu dedicar uma atenção muito especial ao HIV-Sida. Para o chefe do governo guineense, a melhor arma é « a educação e a formação ».

A RFI conversou com João Silva Monteiro, secretário executivo do Conselho Nacional de Luta contra a Sida, que apresentou no passado dia 11 de Março o balanço das actividades daquela instituição em 2009. Nesta ocasião foram divulgados os primeiros dados existentes na Guiné sobre a prevalência do vírus.

RFI : Quais são as camadas etárias mais expostas ao HIV-Sida na Guiné-Bissau ?

JSM : A camada etária com maior prevalência é a população com idade superior a 25 anos. Entre os 25 e os 29 anos temos 7,2 por cento; entre os que têm mais de 30 anos, temos 8 por cento. Ou seja, há uma correlação muito forte entre o início da vida sexual e a infeção com o HIV-Sida. Nos jovens com menos de 20 anos temos menos de 4 por cento de infeção.

Que medidas estão a ser tomadas para fazer face a estes números ?

Estamos a fazer muita comunicação para a mudança de comportamentos, graças ao importante apoio que recebemos do Fundo Global. Isto tem que ser encarado como uma questão de comportamento, de mentalidade.

As principais formas de transmissão aqui na Guiné são as relações sexuais e a via vertical – de mãe para filho. Assim, a nossa ação para a mudança de comportamentos vai focalizar-se nestes dois pontos.

A juventude tem de ter comportamentos sexuais mais responsáveis. Quando uma relação sexual é fortuita, o uso de preservativo é imprescindível. Ao mesmo tempo, vamos incentivar a fidelidade : ter um parceiro certo, ter relações mais estáveis.

Mas mesmo dentro das relações estáveis pode haver risco de contaminação. A campanha também vai encorajar as pessoas casadas a usar preservativo?

Nós fazemos campanha pelo uso de preservativos sobretudo nas relações fortuitas. Naturalmente, mesmo as pessoas que têm parceiros estáveis podem contraír o vírus. Por isso, o que nós recomendamos é a despistagem. Em caso de teste positivo, mesmo num casal estável, as relações sexuais devem acontecer com recurso a preservativos.

É na região de Bafatá que se verifica a maior prevalência do vírus. Seguem-se Cabu e a capital, Bissau. Porque é que Bafatá está no topo da lista ?

Nós não queremos que os estudos sirvam para provocar estigmas. Não podemos adiantar as causas – não temos informação a esse nível. Este estudo é um estudo sentinela, feito em mulheres grávidas, mulheres sexualmente ativas, e diz respeito a aspetos biológicos, laboratoriais. Para podermos falar com propriedade sobre as razões que explicam as diferencias geográficas registadas teríamos que promover um estudo mais sociológico.

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