Guiné-Bissau

Estados Unidos recusam apoio financeiro e político para reforma da Defesa e Segurança na Guiné-Bissau

O General António Indjai foi nomeado Chefe de Estado Maior das Forças Armadas da Guinée-Bissau a 25 de junho de 2010.
O General António Indjai foi nomeado Chefe de Estado Maior das Forças Armadas da Guinée-Bissau a 25 de junho de 2010. Abdurahamane Turé

Se até aqui eram apenas ameaças veladas, a partir de agora é mesmo a sério e oficial. Os Estados Unidos não vão apoiar as reformas em curso na Guiné-Bissau ao nível da Defesa e Segurança, tudo porque não concordaram com a nomeação de António Indjai para o cargo de Chefe das Forças Armadas guineenses.

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A posição do governo norte-americano foi transmitida aos jornalistas por Luci Chan, elemento da embaixada norte-americana que cobre a Guiné-Bissau mas residente em Dacar, no Senegal.

Para o governo norte-americano, António Indjai jamais poderia ser nomeado chefe das Forças Armadas devido ao facto de ter sido o líder do levantamento militar do passado dia 01 de Abril, do qual resultou a destituição e prisão do então Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Zamora Induta bem como do primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior.

Washington considera que a manutenção do almirante Zamora Induta na prisão e o papel de António Indjai nos acontecimentos do passado dia 01 de Abril, demonstram claramente que o poder civil na Guiné-Bissau não controla as Forças Armadas e por isso mesmo, não será possível que haja apoios financeiros ao programa de reforma no sector da Defesa e Segurança.

Bissau conta com os apoios financeiros da comunidade internacional sobretudo para a mobilização de 180 milhões de dólares para o programa de reforma e modernização do sector da Defesa e Segurança. Para o próximo mês de Setembro, está previsto um encontro de doadores, em Nova Iorque, onde o governo da Guiné-Bissau vai pedir cerca de 85 milhões de euros para constituir um fundo de pensões para os militares que irão para a reforma.

Desde já os americanos avisam que não darão nem apoio financeiro nem apoio político ao programa de reforma, isto porque não estão dispostos a trabalhar com um responsável militar que tenha sequestrado, ameaçado de morte um primeiro-ministro democraticamente eleito e destituído um Chefe do Estado-Maior legalmente nomeado.

Com o nosso correspondente em Bissau, Mussa Baldé
 

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