Brasil/CEDEAO

Para Lula, Brasil e África estão "unidos para o futuro"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo em 29/06/2010.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo em 29/06/2010. REUTERS/ Nacho Doce

Em discurso na abertura da primeira cimeira do Brasil com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) em Cabo Verde,  o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o seu sucessor terá a obrigação de "fazer mais" pelo continente e lembrou dívida histórica do Brasil com a África. Cabo Verde foi a primeira etapa da viagem de Lula, que inclui ainda outros cinco países africanos.

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Lula discursou neste sábado na abertura da primeira cimeira do Brasil com a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), que reuniu o presidente brasileiro e 13 presidentes de países africanos na ilha do Sal, em Cabo Verde. Ele disse que o organismo tem tido um papel fundamental nos esforços de mediação para resolver os conflitos nos países da região oeste africana.

"O Brasil confia na África. Acreditamos que 800 milhões de africanos necessitam e podem realizar a promessa de uma região com vastas riquezas naturais e extraordinárias perspectivas de crescimento. Tenho certeza de que esta reunião será a semente de uma cooperação duradoura e produtiva entre o Brasil e a África Ocidental", afirmou o presidente brasileiro. Ele ainda disse que o Brasil e a África estão "unidos para o futuro".

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Depois de ler o seu discurso, de improviso Lula começou a falar sobre a dívida histórica que, segundo ele, o Brasil tem com África. "Nós não temos como mensurar em dinheiro a dívida histórica que o Brasil tem com o continente africano. Porque nós somos devedores do nosso jeito de ser. Somos devedores da nossa cultura, da nossa arte, da nossa cor, da miscigenação do povo brasileiro", afirmou. A improvisação valeu ao presidente muitos aplausos do público.

Lula também disse que o Brasil pretende criar condições para transferir tecnologia para o continente africano e que já decidiu lançar um mecanismo financeiro para promover as trocas, com a CEDEAO em particular e a África em geral, nos campos do comércio e da indústria.

O presidente brasileiro defendeu os produtores de algodão africanos, muito prejudicados pela concorrência dos produtores ocidentais que beneficiam de subvenções estatais. "É preciso encontrar uma solução justa para a questão das subvenções para o algodão, pois esse setor emprega vários milhões de pessoas e a cooperação nessa área será o embrião de uma colaboração durável e positiva entre a África e o Brasil."

Lula terminou o seu discurso afirmando que o próximo presidente do Brasil estará moralmente, politicamente e éticamente comprometido a "fazer mais" pela relação Brasil-África.

A ideia de organizar uma cimeira entre a CEDEAO e o Brasil partiu de Cabo Verde, que desejava homenagear o presidente Lula pela política que ele tem desenvolvido em África.

Falando em nome da CEDEAO, o presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, defendeu a candidatura do Brasil a um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU. "O Brasil é um país ouvido, respeitado e seu presidente é um grande defensor dos interesses dos países africanos. Ele deve ter uma cadeira no Conselho de Segurança", disse Pires.

Cabo Verde foi a primeira etapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no seu périplo pela África. A partir deste domingo ele visitará Guiné Equatorial, Quênia, Tanzânia, Zâmbia e África do Sul. 

Odair Santos, de Cabo Verde, em colaboração para a RFI

 

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