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Moçambique / Malangatana

"Mestre" Malangatana morre em Portugal

Malangatana Ngwebya Vantente, artista plástico moçambicano, 2003
Malangatana Ngwebya Vantente, artista plástico moçambicano, 2003 flickr.com
Texto por: RFI
12 min

Malangatana Valente Ngwenya nasceu em Matalana, distrito de Marracuene, província de Maputo a 6 de Junho de 1936 e faleceu na madrugada desta quarta-feira (5/01/2011) no hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, Portugal.

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De origem modesta, antes de se dedicar às artes, Malangatana foi pastor, aprendiz de curandeiro, empregado doméstico e apanhador de bolas no Clube de Ténis de Lourenço Marques, onde conheceu o biólogo Augusto Cabral, que lhe ofereceu os primeiros pincéis e tintas e o arquitecto Pancho Miranda Guedes, que lhe emprestou a garagem para “atelier” e lhe comprava duas telas por mês, para o incentivar a continuar a pintar.

Malangatana foi preso pela PIDE em 1966, devido aos poemas publicados no jornal Orfeu Negro e na Antologia de Poesia Moderna Africana”, dessa época destaca-se a colecção “Desenhos de Prisão”.

Artista plástico multifacetado, pintor, escultor, ceramista, além de poeta, contador de histórias e actor, Malangatana também foi deputado do partido FRELIMO entre 1990 e 1994.

Em mais de 50 anos de carreira, ele é hoje uma referência internacionalmente reconhecida da arte africana e universal e as suas obras estão dispersas pelos quatro cantos do mundo em museus e colecções privadas.

O seu talento artístico e activismo social e cultural, foram recompensados com inúmeros galardões : a UNESCO (em cuja sede em Paris ele pintou um painel) nomeou-o Artista pela Paz, as autoridades francesas atribuíram-lhe a Ordem de Comendador das Artes e Letras, o doutoramento “Honoris Causa” foi-lhe outorgado pela Universidade Politécnica de Maputo e pela Universidade de Évora em Portugal, país que o condecorou com a Ordem do Infante D. Henrique, obteve o Prémio Internacional Príncipe Calaus, etc.

A pintura de Malangatana, com traços firmes e cores vivas, cujo traço marcante é a profusão de motivos, começou com rostos de africanos à laia de máscaras, exprimindo a miséria e injustiça vigentes durante o período colonial, mais tarde episódios convulsos da história pós colonial de Moçambique foram retratados pelo artista, os mitos, tradições e a sensualidade são muito presentes nas sua telas e murais, que reflectem a simbiose entre a pintura africana moderna e o modernismo europeu.

A realizadora moçambicana Isabel Noronha realizou em 2007 o documentário “Ngwenya, o Crocodilo” (ngwenya significa crocodilo em língua changane) que foi premiado no Festival de Cinema de Milão.

Transformar o Centro Cultural da Matalana num pólo internacional de estudos de arte, era o sonho de Malangatana e os seus herdeiros prometem continuar a obrar nesse sentido.

Entrevistado por Miguel Martins, o escritor moçambicano Mia Couto evoca a dimensão humanista do seu "amigo e mestre".

Mia Couto, escritor moçambicano

Armando Artur João, Ministro moçambicano da Cultura afirmou a Miguel Martins que o país vai proporcionar a Malangatana um funeral à altura da sua honra e do legado que ele deixou a Moçambique.

Armando Artur João, Ministro da Cultura de Moçambique

 Portugal homenageia Malangatana nesta quinta-feira na Faculdade de Belas Artes do Porto e sexta-feira no Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa, antes da trasladação do corpo para Maputo, provavelmente na próxima terça-feira. 
Victor Matias entrevistou o antigo Presidente português Mário Soares, que vai assistir à cerimónia no Mosteiro dos Jerónimos e começa por recordar a amizade que os unia.

Mário Soares, antigo Presidente português

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