Guiné-Bissau

Inércia da justiça, falta de meios ou de vontade política, para julgar os assassínios políticos de 2009 ?

Funeral do presidente Joao Bernardo "Nino" Vieira ; Bissau, 10 de Março 2009.
Funeral do presidente Joao Bernardo "Nino" Vieira ; Bissau, 10 de Março 2009. (Photo : Reuters)

Presidente "Nino" Vieira, CEMGFA general Tagmé Na Waie, candidato presidencial Baciro Dabó, deputado Helder Proença, assassinados em 2009, são vítimas da inércia na realização da justiça na Guiné-Bissau, afirma o advogado Roberto Cacheu, que aconselha o PGR a demitir-se.

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Na madrugada do dia 2 de Março de 2009 o presidente João Bernardo “Nino” Vieira foi barbaramente assassinado por balas na sua residência em Bissau, depois de ter sido torturado.
Poucas horas antes tinha sido morto o general Tagmé Na Waie, Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissauk, na sequência de um ataque à bomba contra o quartel-general das Froças Armadas em Bissau.

Em Junho desse mesmo ano foram assasssinados o candidato presidencial e antigo ministro Baciro Dabó, o deputado do PAIGC e também antigo ministro Helder Proença, bem como o seu motorista e um sargento.

O Presidente Malam Bacai Sanhá prometeu aos guineenses e à comunidade internacional, tudo fazer para que estes crimes fossem esclarecidos e os seus mandantes julgados, mas até à data a investigação em torno destes assassínios políticos não surtiu qualquer resultado.

Amine Saad, Procurador Geral da República da Guiné-Bissau, tem afirmado não ter meios suficientes para prosseguir o inquérito, o que o impossibilita de apresentar o relatório final sobre estes crimes.

Miguel Martins ouviu a este propósito Roberto Cacheu, deputado do PAIGG, partido no poder, antigo secretário de Estado da Cooperação  e que é um dos advogados dos familiares das vítimas dos assassínios perpetrados em Março e Junho de 2009, que clamam o fim da impunidade e que justiça seja feita.

Roberto Cacheu considera o argumento de falta de meios "falacioso" e afirmou à RFI que se o PGR Amine Saad  “se vir obstruído e incapaz de obter os recursos para resolver os problemas, deve demitir-se”.

Roberto Cacheu, deputado do PAIGC e advogado dos familiares das vítimas dos assassínios políticos de 2009

 

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