Angola

Ventos da mudança chegam a Angola ?

Crédit : CC-by-Spencer E Holtaway

Manifestação de protesto contra o regime do presidente José Eduardo dos Santos convocada por SMS e-mail e pela rede social Facebook para a próxima segunda-feira, levam o MPLA a convocar uma contra-manifestação de apoio ao presidente angolano para este sábado, esperando que mais de dois milhões de angolanos saiam à rua.

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A manifestação de protesto contra o autoritarismo do regime do presidente José Eduardo dos Santos, há mais de 30 anos no poder, sem nunca ter sido eleito, que está a ser convocada de forma anónima pela Internet e SMS para o próximo dia 7 de Março em Luanda e em várias capitais europeias, preocupa as autoridades angolanas.

Coincidência ou não, uma avaria na Angola Telecom em meados de mês de Fevereiro, privou milhões de angolanos de acesso à Internet durante quase uma semana.

A convocatória para esta manifestação emana de um alegado Movimento Revolucionário do Povo Lutador de Angola ou MRPLA, liderado por  “Agostinho Jonas Roberto dos Santos”, um pseudónimo que agrega os nomes de quatro importantes personalidades políticas angolanas: Agostinho Neto, Jonas Savimbi, Holden Roberto e José Eduardo dos Santos.

O secretário-geral do MPLA, partido no poder desde a independência de Angola em 1975, general Julião Mateus Paulo Dino Matross, advertiu que Luanda não é o Cairo e alertou os angolanos a não confundirem o que se passa nos países do norte de África com a realidade angolana.

Bento Bento, secretário provincial do MPLA em Luanda, referiu-se aos organizadores como  um grupo de conspiradores angolanos, apoiados por países estrangeiros, como Portugal, França, Itália, Bélgica e mesmo a Grã-Bretanha e a Alemanha, e apelou a uma contra manifestação de apoio à paz e ao presidente angolano, através de uma marcha patriótica em Luanda no próximo sábado dia 5 de Março.

O MPLA acusa a UNITA, principal partido da oposição angolana e o PRS - Partido da Renovação Social, de serem responsáveis pela agitação popular contra as instituições do Estado e ameaça repressão contra os manifestantes.

Isaías Samakuva, líder da UNITA, rejeitou estas acusações e afirmou ontem (2/01/2011) em Luanda, que o seu partido “não conhece os organizadores da manifestação de protesto de 7 de Março e não instruiu os seus membros a participarem nela”. Samakuva acusou ainda o regime angolano de estar a planear um atentado contra a vida dos dirigentes da UNITA.

Apesar de a nova Constituição angolana de Fevereiro 2010 permitir manifestar em lugares públicos sem aviso prévio às autoridades competentes, o ministro angolano do interior Sebastião Martins garantiu que as forças da ordem não iriam tolerar alterações à ordem pública, nem atentados contra a autoridade do Estado.

Avelino Miguel, correspondente em Luanda

 

 

 

 

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