GUINÉ-BISSAU

Fim de sanções da União Europeia contra a Guiné-Bissau ?

Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro da Guiné-Bissau.
Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro da Guiné-Bissau. Miguel Martins

O primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, deixou Bruxelas nesta quarta-feira optimista quanto ao desfecho do diálogo com as autoridades europeias.A União Europeia poderia desistir de sanções contra Bissau, mas manter-se-ia atenta à governação neste país africano.

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O chefe do executivo da Guiné-Bissau efectuou uma deslocação de dois dias a Bruxelas durante a qual se avistou, nomeadamente, com o presidente da comissão europeia, Durão Barroso.

Para o governante guineense está fora de questão a possibilidade de sanções, não obstante o facto dos europeus prometerem manter-se atentos aos compromissos assumidos por este país da África ocidental na área da governação.

O desrespeito pelos direitos humanos na Guiné-Bissau tinha sido evocado em finais de Janeiro passado pelos 27 para justificar novas sanções contra dirigentes guineenses .

Um sector que gera preocupação depois dos assassínios do presidente "Nino" Vieira e de Tagmé Na Wai, líder dos militares, em Março de 2009, até agora não elucidados.

O motim de 1 de Abril de 2010, que levou ao afastamento de Zamora Induta da hierarquia militar e a sua subsituição por António Indjai, até então número dois do exército, veio agravar este contencioso.

Os europeus admitiram, pois, em Janeiro a possibilidade de se congelarem os bens e de proibirem os vistos de várias individualidades guineenses, incluindo, precisamente, António Indjai, chefe do Estado maior general das forças armadas, e Américo Bubo Na Tchuto, chefe de Estado maior da armada.

Na altura Portugal conseguira o adiamento de tal dispositivo mediante a abertura de um diálogo entre os europeus e as autoridades guineenses sobre o panorama dos direitos humanos que é contemplado no Acordo de Cotonu.

Este dispositivo regula, com efeito, as relações entre Bruxelas e os países ACP (África, Caraíbas e Pacífico).

Aristides Ocante da Silva, ministro guineense da defesa, faz parte da delegação guineense que se deslocou a Bruxelas.

Em entrevista a Leonardo Silva ele começa por situar o contexto destas consultas bilaterais que deixaram as autoridades da Guiné-Bissau optimistas quanto a uma retoma plena da cooperação normal com a União Europeia.

 

Aristides Ocante da Silva

 

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