Angola/ História

Em Angola o dia dos Mártires da repressão colonial deixou de ser feriado

Milhares de camponeses foram massacrados no seguimento da greve dos trabalhadores da Cotonang
Milhares de camponeses foram massacrados no seguimento da greve dos trabalhadores da Cotonang DR

Como todos anos, recordou-se hoje o 51° aniversário do 4 de Janeiro de 1961, dia dos mártires da repressão colonial, mas pela primeira vez esta data não foi um dia feriado.

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A 4 de Janeiro de 1961, o regime colonial português massacrou milhares de camponeses da zona da Baixa de Kassanje, em Malanje no nordeste do país. Estas violências aconteceram num contexto de greve dos trabalhadores da Companhia de algodão de Angola -Cotonang, o movimento tendo depois alastrado para um protesto da população de toda a região que os colonos reprimiram.

Este acabou por ser o germe do movimento que um mês depois resultou no assalto à cadeia de Luanda e culminou na independência do país em 1975. Mas apesar desta data ser considerada um marco importante da História de Angola, à luz de uma lei adoptada no ano passado, o dia 4 de Janeiro deixou de ser feriado.

A população da Baixa de Kassanje tem expressado o seu descontentamento com esta decisão e exige que a data de 4 de Janeiro torne a ser feriado. A população daquela região reclama igualmente, e entre outros, a construção de um Memorial às vítimas do massacre bem como a edificação de um condomínio social no mesmo local, conforme prometido em 1979 pelo Presidente Agostinho Neto, na sua última viagem à província de Malanje.

A RFI ouviu a este propósito Domingos Apolo de Matos, vice presidente da Associação de apoio para o desenvolvimento da Baixa de Kassanje.

Domingos Apolo de Matos

 

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