Mali

O Presidente do Burkina-Faso tenta mediar a crise do Mali

O Presidente Blaise Compaoré em reunião com o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros Djibril Bassolé e Tieman Coulibaly, chefe da diplomacia Maliana, em Ouagadougou a 3 de Novembro de 2012.
O Presidente Blaise Compaoré em reunião com o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros Djibril Bassolé e Tieman Coulibaly, chefe da diplomacia Maliana, em Ouagadougou a 3 de Novembro de 2012. DR

Durante o passado fim-de-semana, Ouagadougou, capital do Burkina Faso tem sido palco de movimentações políticas no intuito de encontrar uma pista de saída de crise para o norte do Mali sob controlo dos islamitas há largos meses.

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Neste âmbito, uma delegação de Ansar Dine, um dos grupos islamitas que controlam o norte do país tem-se avistado com as autoridades do Burkina Faso e deveria ser recebida esta terça-feira pelo presidente burkinabense, mediador na crise Maliana em nome da CEDEAO Comunidade Económica dos Estados de África do Oeste. Para Blaise Compaoré, um dos objectivos é afastar Ansar Dine dos restantes grupos islamitas, designadamente os terroristas da AQMI, Al Qaeda do Magrebe Islâmico, que assentaram o seu poder no norte Maliano.

Esta tentativa de mediação decorre no momento em que outras negociações encetadas desde a semana passada em Bamaco, capital do Mali, reúnem peritos da CEDEAO e da União Africana com o fito de preparar uma intervenção militar no norte do Mali no quadro de uma resolução da ONU votada neste sentido no passado dia 12 de Outubro. Na óptica de Fafali Koudawo, Reitor da Universidade "Colinas de Boé" de Bissau, a mediação do Burkina-Faso nesta crise deve ser entendida como um complemento das discussões sobre a intervenção militar no norte do Mali.

Fafali Koudawo, Reitor da Universidade "Colinas de Boé" em Bissau

De acordo com o jornal Argelino El-Watan, outra delegação de Ansar Dine estaria igualmente em Argel em discussão com as autoridades que, por seu lado, não prestaram declarações sobre esses eventuais contactos. O facto é que, tal como o Burkina-Faso, a Argélia tem marcado a sua preferência por uma solução negociada, todavia Argel tem sido frequentemente criticada pela sua discrição quanto a este dossier, uma discrição que Fafali Koudawo interpreta como uma posição ambígua. 

Fafali Koudawo, Reitor da Universidade "Colinas de Boé" em Bissau

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