Quénia

Imbróglio eleitoral no Quénia

A Comissão Eleitoral decidiu contabilizar mais de 300 000 boletins inicialmente considerados nulos
A Comissão Eleitoral decidiu contabilizar mais de 300 000 boletins inicialmente considerados nulos REUTERS /Goran Tomasevic

O Quénia continua sem conhecer os resultados dos seis escrutínios organizados simultaneamente na passada segunda-feira, entre os quais as eleições presidenciais, as legislativas e a designação dos seus governadores.

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O sistema electrónico sobre qual se alicerçaram estas eleições e que tinha sido apresentado como um meio eficaz de lutar contra a fraude conheceu algumas avarias, o que se traduziu pela transmissão até esta quarta-feira de manhã de menos de metade dos resultados provisórios. Este problema somado a uma certa confusão que reinou durante o processo eleitoral em algumas mesas de voto, devido a cortes de corrente e devido ao elevado número de boletins que os eleitores tinham que depositar, fez com que a Comissão Eleitoral acabasse por decidir integrar na contagem dos votos, boletins que inicialmente tinham sido considerados nulos.

Esta opção é colocada em causa pelos apoiantes de Uhuro Kenyatta, filho do primeiro Presidente do Quénia e candidato às presidências que -segundo os resultados já divulgados- é creditado com cerca de 2,8 milhões de votos, contra um pouco menos de 2, 2 milhões de votos para o seu principal adversário, o Primeiro-Ministro Raila Odinga. De acordo com a Constituição do Quénia, "um candidato é declarado vencedor se recolheu mais de metade dos votantes do escrutínio e pelo menos 25% dos votantes em mais de metade dos distritos". Daí que o confortável avanço de 10 pontos de Kenyatta seja posto em questão pelo modo de contagem escolhido pela Comissão Eleitoral, este candidato vendo gorada a hipótese de vencer logo na primeira volta.

Em entrevista com a RFI, José Saldanha, Cônsul Honorário de Portugal em Nairobi descreve o clima de tensão e de expectativa reinante actualmente no país.

José Saldanha, Cônsul Honorário de Portugal em Nairobi

 

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