Moçambique

Novos confrontos junto à base da Renamo no centro de Moçambique

Afonso Dhlakama, líder da Renamo
Afonso Dhlakama, líder da Renamo DR

Registaram-se hoje novos confrontos entre as tropas governamentais e combatentes da Renamo junto à base deste movimento em Sathundjira, na província de Sofala, no centro do país, onde está aquartelado há mais de um ano Afonso Dhlakama, líder da Renamo, em sinal de protesto contra o que qualifica de "ditadura" da Frelimo.

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Em conferência de imprensa em Maputo, a Renamo referiu que as tropas governamentais atacaram a residência de Afonso Dhlakama, obrigando-o a abandonar a casa para outro local onde se encontra "de boa saúde". Nesta mesma conferência, a Renamo também acusou a Frelimo de querer assassinar Dhlakama e referiu que até ao momento não tinha havido ordens para os combatentes da Renamo ripostarem à alegada incursão do exército governamental, tendo havido -sim- autorização para a retirada a população das imediações daquela zona. Os detalhes com o nosso correspondente em Maputo, Orfeu Lisboa.

Orfeu Lisboa, correspondente da RFI em Moçambique

Paralelamente, o governo Moçambicano já reagiu pela voz do Director da política da Defesa Nacional no Ministério da Defesa, Cristóvão Chume, que confirmou o ataque das forças governamentais que terá vindo alegadamente na sequência de uma agressão por parte da Renamo. Em declarações à imprensa, Cristóvão Chume também afirmou que não houve quaisquer vítimas mortais e referiu desconhecer o paradeiro de Afonso Dhlakama.

Cristóvão Chume, em declarações recolhidas por Orfeu Lisboa

Este ataque que coincide com o dia em que se iniciou a presidência aberta do Presidente Armando Guebuza à província de Sofala, é um sinal do recrudescimento da tensão político-militar entre a Renamo e o governo da Frelimo quando falta menos de um mês para as eleições autárquicas marcadas para o próximo 20 de Novembro. A Renamo que boicota este escrutínio por ter visto rejeitada a sua exigência de paridade nos órgãos eleitorais, tem proferido ameaças de inviabilizar as autárquicas no caso de elas serem efectivamente organizadas.

Este episódio que é o mais grave desde a assinatura do Acordo Geral de Paz em 1992, não deixa de criar preocupação junto dos parceiros de Moçambique. Os Estados Unidos, pela voz da sua Embaixada em Maputo, condenaram o sucedido e apelaram para as partes apostarem no diálogo. Por seu turno, a missão local da ONU considerou "difícil acreditar a 100% nas partes envolvidas na crise político-militar" já que, a seu ver, "estão a gerir a informação numa perspectiva política".

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