Moçambique

Renamo ataca posto policial no centro de Moçambique

Enquanto Afonso Dhlakama permanece em parte incerta, o Presidente Armando Guebuza efectua a sua presidência aberta no centro de Moçambique
Enquanto Afonso Dhlakama permanece em parte incerta, o Presidente Armando Guebuza efectua a sua presidência aberta no centro de Moçambique Reuters

Homens armados da Renamo, maior partido de oposição, atacaram esta madrugada um posto da polícia em Maríngué no centro do país, localidade que os combatentes estão a ocupar actualmente. O ataque aconteceu horas depois do aquartelamento do líder do partido, Afonso Dhlakama, ter sido tomado de assalto ontem pelas tropas do governo.

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Face a esta situação, o Presidente Moçambicano já reagiu, insistindo sobre a necessidade do diálogo com a Renamo. O tempo "não é apropriado para inimizades, pois o maior perdedor é o povo moçambicano" declarou o Presidente ao responsabilizar, por outro lado, a Renamo pelos recentes confrontos armados no centro do país. Estas declarações foram proferidas no segundo dia da presidência aberta do Chefe de Estado Moçambicano que estava a decorrer hoje precisamente em Mucheve, terra natal de Afonso Dhlakama e bastião da Renamo no centro do país.

Por seu lado, a Renamo reuniu-se esta tarde com o Bispo Anglicano Dom Dinis Singulane e o académico Lourenço do Rosário. A Renamo afirmou que não vai conduzir nenhuma retaliação ao ataque de ontem, mas no entanto instou as tropas do governo a abandonar a base do partido, de modo a regressar à mesa das negociações como explicou Lourenço do Rosário em entrevista exclusiva da autoria do correspondente da RFI em Moçambique, Orfeu Lisboa.

Académico Moçambicano Lourenço do Rosàrio, em entrevista exclusiva de Orfeu Lisboa

A situação no país é tensa e já provocou várias reacções tanto a nível interno como a nível externo. A Igreja Católica disse estar a acompanhar com tristeza a situação politica em Moçambique, a União Europeia disse estar a seguir de perto e com preocupação os acontecimentos no país, à semelhança dos Estados Unidos, do governo de Cabo Verde e igualmente de Portugal. A terceira força política do país, o MDM, Movimento Democrático de Moçambique, reagiu igualmente com pesar e acusou o executivo de não estar interessado em negociar, conforme disse à RFI o porta-voz do partido, Sande Carmona.

Sande Carmona, porta-voz do MDM entrevistado por Liliana Henriques

No mesmo sentido, Alice Mabote, presidente da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos também se mostrou crítica em relação ao poder, denunciou a falta de informação bem como ataques contra os jornalistas e mostrou-se pouco optimista quanto ao desfecho dos acontecimentos.

Alice Mabote, Presidente da Liga moçambicana dos Direitos Humanos entrevistada por Liliana Henriques

Noutro aspecto, Fernando Jorge Cardoso, investigador do Instituto Marquês do Valle Flôr em Lisboa, que não acredita na hipótese de um conflito armado generalizado por todo o território, começa por lembrar o envolvimento de Armando Guebuza nos acordos de paz de Roma e afirma que não existe uma intenção por parte do chefe de Estado moçambicano de eliminar Afonso Dhlakama.

Investigador Fernando Jorge Cardoso entrevistado por Liliana Henriques

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