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ANGOLA

Activista angolano Nito Alves foi libertado

Jovem activista Manuel Nito Alves
Jovem activista Manuel Nito Alves DR
Texto por: Carina Branco
3 min

Nito Alves foi libertado hoje e denunciou os maus tratos que sofreu na prisão.  O jovem de 17 anos é "um símbolo de resistência" para Rafael Marques, o conhecido jornalista angolano que recebeu um prémio da Transparency International pela luta contra a corrupção.

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Nito Alves foi libertado, esta sexta-feira, sob termo de identidade e residência. O jovem de 17 anos estava preso desde 12 de Setembro e esteve em greve de fome esta semana. Em entrevista à RFI, o activista diz que vai continuar a fazer camisolas como aquelas que o levaram à cadeia (com as inscrições "Zé Du fora! Ditador Nojento"). Além disso, denuncia os maus tratos de que foi vítima e admite que está muito debilitado fisicamente.

Nito Alves, activista angolano

 Filomeno Vieira Lopes, secretário-geral do Bloco Democrático que denunciava a detenção de Nito Alves, reclama, agora, a "liberdade total e não condicional" do jovem.

Filomeno Vieira Lopes, Bloco Democrático

Nito Alves é um "símbolo de resistência" para Rafael Marques. O jornalista e activista angolano dedicou-lhe o Prémio "Integrity Award" que recebeu hoje da Transparency International (TI). A distinção foi entregue esta tarde, em Berlim, numa cerimónia de comemoração dos 20 anos da TI. A organização destacou o seu trabalho de denúncia de casos de corrupção em Angola.

Em entrevista à RFI, Rafael Marques declarou que "num país em que a corrupção é endémica, receber um prémio por integridade tem um significado especial que é a possibilidade de alterar o quadro moral para que a integridade e a honestidade possam ser celebradas como valores com os quais os angolanos se possam identificar".

Por outro lado, o jornalista denunciou um novo caso que está a investigar que, segundo ele, mostra que "a família presidencial está a roubar os angolanos" ao "usar a única empresa com o direito exclusivo de comercialização de diamantes em Angola, a SODIAM, para obter acções numa joalharia na Suíça que faz joias para celebridades de Hollywood".

Rafael Marques, jornalista e activista angolano

Além de Rafael Marques, a Transparency International distinguiu também o jornalista chinês Luo Changping, pela coragem ao denunciar a corrupção de um alto oficial do Governo chinês. "Os dois vencedores deste ano representam tudo aquilo por que o nosso movimento global luta, nos nossos esforços para pôr um fim aos abusos de poder, negócios escuros e subornos", disse a Presidente da Transparency International, Huguette Labelle.

Foi a representante portuguesa da TI, a "Transparência e Integridade - Associação Cívica" que nomeou o ativista angolano para a distinção. Em comunicado, a organização escreve : "Rafael Marques foi preso em 1999 depois de ter denunciado num artigo de jornal casos de corrupção e desvio de fundos no Governo angolano. Desde então, apesar da consistente perseguição e abusos a que tem sido sujeito pelas autoridades, o jornalista e activista nunca parou de denunciar as práticas corruptas dos detentores do poder em Angola, investigando a fundo situações de corrupção e violações de direitos humanos no tráfico de diamantes de sangue ou no sector petrolífero."
 

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